terça-feira, 30 de outubro de 2012

Dados da Educação Superior – Presencial e a Distância

O Inep divulgou os dados do Censo da Educação Superior 2011, anunciados no dia 16/10 pelo ministro Aloizio Mercadante. As planilhas apresentadas mostram que o Brasil tem 2.365 Instituições de Ensino Superior, das quais 284 públicas e 2.081 privadas. Nesse número, 190 são universidades, 131 centros universitários, 2.004 são faculdades e 40 institutos federais e Cefets.

Segundo o Censo, 5.746.762 alunos estão matriculados no ensino presencial e 992.927 na educação a distância. Os números demonstram que, no período 2010-2011, a matrícula em cursos de Graduação nas universidades cresceu 7,9% na rede pública e 4,8% na rede privada, o que configura uma média de crescimento de 5,6% nas matrículas para o ensino superior.

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Fonte- http://www.educacaoadistancia.blog.br

Horizon Report terá versão brasileira até o final do ano



Um dos principais estudos mundiais sobre o uso de tecnologias na educação, o Horizon Report ganhará uma versão brasileira até o final do ano. Um time de especialistas das mais diversas áreas –como EAD (educação à distância), games, entre outras- vem trabalhando de forma colaborativa desde agosto, com a previsão de lançar a versão nacional do Horizon Report em 21 de novembro.

O relatório mapeia o uso de tecnologias na educação na atualidade e em um horizonte de até cinco anos a partir de sua publicação, apresentando um diagnóstico para o período. Em outras palavras, o educador vai encontrar nele tendências que podem ter impacto no ensino nos próximos anos, levantadas coletivamente por especialistas.

A primeira versão nacional chega através de uma parceria entre a NMC (The New Medium Consortium, organização que edita o relatório original) e a Firjan (Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro). “Sentimos falta de um estudo brasileiro que demonstrasse a evolução das tecnologias e sua aplicação nas salas de aula e que pudesse ser comparável com resultados mundiais”, afirma Bruno Gomes, assessor de Tecnologias Educacionais do Sistema Firjan e um dos responsáveis pela parceria.

Realidade brasileira

Uma das colaboradoras do relatório é Cristiana Assumpção, especialista no uso de tecnologias na educação que já participou de seminários e pesquisas do Horizon Report internacional em anos anteriores.
“Foi muito positivo para nossa comunidade de pesquisadores trabalhar de forma colaborativa”, afirma. Entre as tecnologias levantadas no estudo, Cristiana chama atenção para a relevância do uso de vídeos em sala de aula no Brasil, pouco mencionada nos relatórios internacionais e muito louvada pelos pesquisadores locais. Além das videoaulas, a questão da telefonia móvel também apareceu. “Na minha opinião, ela vai mudar a educação e está entrando com muita força nas escolas”, defende Cristiana.
”’O Brasil é muito diverso. Em cinco anos, escolas particulares estarão em um nível diferente das públicas” João Mattar

João Mattar, outro participante das investigações, aponta que o relatório reuniu pesquisadores de alto nível sobre o tema no Brasil. “As pessoas que participaram são representativas na visão do uso de tecnologias na educação no Brasil”, afirma ele, que ressalta a questão da formação do docente como outro destaque do relatório: “Mais de um pesquisador apontou, em mais de um momento, que para aquela tecnologia em questão funcionar é preciso formar professores. A mensagem geral do relatório é esta: não adianta jogar o computador na mão do professor e esperar que ele se vire”.

Na opinião de Cristiana, também chama atenção no relatório o levantamento de iniciativas pioneiras no Brasil e no mundo, na etapa de investigação. “Fizemos um verdadeiro banco de dados de projetos que utilizam as tecnologias em algum nível na educação e as melhores poderão entrar no relatório”, explica.
Método de investigaçãoO Horizon Report vem sendo construído em um ambiente wiki onde diversos especialistas e professores possam levantar tecnologias e iniciativas, debatê-las e avaliar a sua efetividade e sua absorção nas salas de aula no presente e em um futuro próximo.

Cristiana conta que, a partir destas fases de levantamento, os especialistas votam nas tecnologias que eles consideram mais relevantes. A partir daí, a lista vai ficando menor, até que se estabelece a relação de tecnologias e métodos que vão ganhar destaque no diagnóstico.

Bruno Gomes afirma que este processo pode, ainda, contribuir para o desenvolvimento de novos estudiosos sobre o assunto. “Existem poucos profissionais altamente qualificados neste tema no Brasil. Certamente com a publicação do relatório, teremos uma abertura maior para discussão e incentivaremos novos educadores a refletir e aplicar as tecnologias no ambiente educacional”, acredita.

João Mattar, no entanto, se colocou mais cético a respeito do processo, que questiona as tecnologias que mais podem mudar a educação no Brasil. Para ele, os problemas de infraestrutura das escolas públicas no país são uma questão à parte que deveria ser considerada na elaboração do relatório. “O Brasil é muito diverso. Em cinco anos, escolas particulares estarão em um nível diferente das públicas”, pontua.

Site de Origem: www.institutoclaro.org.br

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Educação presencial está caindo entre 5% e 15% ao ano

Dados coletas por Newton Campos na 18ª conferência anual da Sloan Consortium que é uma das principais associações de educação a distância dos EUA.

1) Em muitas cidades dos Estados Unidos, a educação presencial formal a tempo completo está caindo entre 5% e 15% ao ano;

2) Quando há crescimento, mais de 50% deste se dá através da educação a distância;

3) Estudos mostram que, para muitas profissões, a educação já tornou-se uma atividade “para o resto da vida” (“a life long task”), diluindo o valor de diplomas específicos ou antigos;

4) Identificar, contratar, treinar e administrar professores que saibam dar aulas a distância já está se tornando um diferencial para muitas universidades norte-americanas;

5) A realização de exames presenciais (em centros físicos de aplicação de exames) ou exames a distancia para cursos online (com tecnologias sofisticadas de identificação pessoal) já são uma realidade ao menos em 50 universidades norte-americanas;

6) As 3 principais forças que hoje agem a favor dos cursos abertos online (MOOCs, consultar postaqui) são: a popularização do acesso à internet, a redução dos custos de tecnologias e a recessão econômica norte-americana;

7) Os MOOCs (cursos abertos online) estão recebendo investimentos maciços em centenas de universidades, mas ainda não se mostraram eficientes: apenas 20% dos alunos participam ativamente das aulas e menos de 3% terminam os cursos oferecidos. Iniciou-se uma interessante curva de aprendizagem.

8 ) Os MOOCs (cursos abertos online) mais consolidados no mercado norte-americano até o momento são oferecidos pelas seguintes organizações: Khan Academy, Edx, Cousera, Minerva, Peer 2 Peer University, Saylor, TED-Ed, Udacity e Udemy.

Entre uma palestra e outra tive a honra de conversar por 5 minutos com o Prof. Sebastian Thrun, Prof. de Inteligência Artificial em Stanford, Diretor no Google e fundador do Udacity.

Sou um grande fã dele. Afinal, ele foi o primeiro professor da história a dar aula a uma turma de mais de 160 mil alunos. Tudo começou há menos de 2 anos: ele se inspirou numa palestra do Salman Khan da Khan Academy para abrir sua aula de Inteligência Artificial para o mundo. A experiência foi tão impactante que o fez criar a Udacity.

Ninguém sabe ainda como ganhar dinheiro com os MOOCs. O Udacity deve apostar por um modelo vinculado à identificação de talentos (headhunting). Ou seja, as empresas que contratem os melhores alunos da Udacity lhes pagará uma taxa por este serviço de procura e identificação de talentos.

Perguntei-lhe sobre o que achava da possibilidade de se criar um MOOC misturando alunos pagantes com alunos gratuitos, com diferentes graus de acesso ao serviço educativo. O Sebastian acha que este formato é possível, mas não aposta por este modelo.

Home page dele: http://www.newtoncampos.com

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Tecnologia promete eficiência na avaliação dos alunos a Distância

Para atender à exigência do Ministério da Educação (MEC) de que pelo menos 51% da nota de cada disciplina do aluno seja presencial, cursos de Educação a Distância (EAD) apostam na digitalização das provas.

Desde o primeiro semestre do ano passado, a PUC de Minas Gerais utiliza o Sistema de Gestão de Provas (SGP) nas avaliações dos cerca de 600 alunos de graduação e 2.200 de pós em EAD. Desenvolvido fora da universidade, ele está sendo usado também em outras instituições de ensino e permite a criação de um banco de questões, a elaboração das provas a partir de critérios pré-definidos de dificuldade e a impressão diretamente no local da avaliação.

O CEO da empresa responsável pelo sistema, Adriano Guimarães, conta que em cada prova é impresso um QR code, uma espécie de código de barras. Depois que a tarefa é concluída pelo estudante, esse material é digitalizado e vai direto para o professor responsável pela disciplina. Através do software, o docente pode fazer comentários, riscar e fazer qualquer intervenção que faria com a avaliação física. A empresa criou também um aplicativo para tablets em que o professor pode corrigir a prova através da ferramenta com o dedo, como se estivesse com o papel na mão. “Ele pode levar o tablet pra praia e corrigir à beira-mar se quiser”, conta Guimarães.

É possível ainda usar a mesma ferramenta no desktop para fazer correções e comentários. Depois disso, o teste é liberado para o aluno, que tem acesso através do navegador de internet. Esse processo pode ser feito tanto em desktops como em tablets, e não é necessário baixar um aplicativo.
O diretor de ensino a distância da PUC Minas, Marcos André Kutova, conta que, antes da implantação, esse processo era mais difícil e os alunos só tinham acesso às provas corrigidas se fizessem essa solicitação específica e, então, ela era enviada pelo correio. Na opinião do diretor da Associação Brasileira de Educação à Distância (ABED), Luciano Sathler, esse retorno do professor é fundamental para a fixação e para o melhor entendimento do conteúdo por parte do estudante.

Para Sathler, as regras impostas pelo MEC – como a exigência de provas presenciais – para reconhecimento dos cursos são necessárias para o desenvolvimento sadio da atividade, mas acabam travando o processo. “Na Europa, Estados Unidos ou Ásia, a legislação não entra nesse nível de detalhe. No mundo inteiro a qualidade dos cursos é avaliada pelo resultado. No Brasil, é pelo resultado, pelo Enade, por exemplo, mas também pelo processo. Infelizmente, no nosso País, creio que isso seja necessário para que o EAD possa crescer em quantidade, mas com qualidade”, explica Sathler.

Segundo censo realizado pelo MEC em 2010, existem no Brasil 930 cursos de graduação pelo método a distância. Além disso, são diversas as opções de pós-graduação nos quais o aluno não precisa estar no mesmo ambiente físico do professor, mas precisa ser avaliado como se estivesse. Ao todo, em 2010, um milhão de pessoas já estudavam através das diversas modalidades de ensino a distância no Brasil. O número impressiona, mas ainda representa pouco frente ao potencial de crescimento desse método de ensino. O diretor da Associação Brasileira de Educação à Distância (ABED), Luciano Sathler, explica que, apesar de crescente, a baixa quantidade de jovens e adultos com ensino superior mostra o quanto a modalidade pode crescer.

FGV desenvolveu seu próprio sistema de avaliação digital 


Depois de comprar o SGP, a Fundação Getúlio Vargas (FGV) acabou criando sua própria versão e aplicou em todos os seus cursos online pagos – que atingem 90 mil alunos em 2012 -, além de parte dos gratuitos. O sistema teve modificações como permitir links entre as questões corrigidas e a posição no material didático em que se encontra a resposta correta. “O que a gente pode garantir é que a evolução do aluno depende do trinômio qualidade do material, conteúdo e desempenho. Essa ferramenta melhora o processo de avaliação em si. É possível destacar comentários que vão ajudar o aluno a complementar seu aprendizado”, diz o diretor executivo da FGV Online, Stavros Xanthopoylos.

Na Unicamp existe apenas um curso em EAD. Coordenado pelo professor e pesquisador Munir Skaf, essa atividade faz parte de um convênio feito pelo governo de São Paulo que aprimora a formação dos professores da rede pública do Estado. Como 40 das 360 aulas do curso são feitas de modo presencial, as atividades discursivas ficam para esses momentos, e as provas são objetivas, aplicadas pelo setor de vestibulares da instituição. A plataforma de aulas, no entanto, é interativa e navegável, o que permite a troca tanto entre os alunos como entre esses e os mediadores.

Internet ruim mantém regiões afastadas longe das inovações


Segundo o diretor da ABED, algumas instituições de ensino não podem fazer a troca para sistemas mais modernos como o SGP simplesmente porque não há internet de banda larga em todas as regiões do Brasil. “Isso faz com que entidades de muito boa qualidade fiquem presas a tecnologias da década de 1970, como a transmissão de aulas via satélite”, conta. Nesse caso, as provas são realizadas nos polos e enviadas para correção dos professores, e apenas as notas são divulgadas.

Fonte: Terra

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Matrículas em cursos de educação a distância sobem 58%

Segundo estudo da Abed, em 2011, foram feitos

3,5 milhões de registros.






Para presidente da Abed, educação a distância permite escolher como, onde e quando estudar


As matrículas em cursos de educação a distância aumentaram 58% no Brasil entre 2010 e 2011, ultrapassando a marca de 3,5 milhões de registros. O número consta do Censo de Educação a Distância 2011, lançado pela Associação Brasileira de Educação a Distância (Abed) e pela empresa de soluções educacionais Pearson Brasil. A Abed, contudo, afirma que o crescimento poderia ser ainda maior se a penetração da internet no país fosse superior.

Segundo dados do Ibope divulgados nesta terça-feira, cerca de 71 milhões de brasileiros têm acesso à internet em locais de trabalho ou residência. Desses, 45% têm banda larga. Ou seja, ainda há muita gente sem acesso à rede. “Além de custarem menos, aulas pelo computador aumentam a conveniência e a interação do aluno. Quanto mais banda larga tivermos, mais o setor crescerá”, diz Fredric Litto, presidente da Abed e fundador da Escola do Futuro da Universidade de São Paulo (USP).

O Censo de EAD 2011 também chama a atenção pela supremacia dos cursos livres em relação aos corporativos e aos autorizados pelo Ministério da Educação (MEC), como as modalidades de graduação e técnica. A tendência não havia sido verificada nas pesquisas anteriores.

Os cursos livres registraram aumento de quase quatro vezes no número de matrículas, passando a responder por 77% do total. Para Litto esses cursos prosperam porque não precisam seguir regras de controle do MEC, o que os torna mais inovadores, dinâmicos e, por consequência, atrativos.

Nessa modalidade, encaixam-se, por exemplo, cursos de língua estrangeira e história da arte. Outra razão para o sucesso dessa modalidade seria o reconhecimento, pela socidade, de que parte das profissões não exige para seu exercício uma graduação formal. “Você precisa de conhecimento e inteligência, mas o diploma universitário não é absolutamente fundamental a todos”, afirma Litto.

Apesar do interesse crescente por cursos a distância, nem todos os brasileiros levam a tarefa até o fim. A evasão entre os cursos corporativos cresceu nada menos do que 163%. Entre os cursos autorizados e livres, a evolução da evasão foi menor: respectivamente, 10% e 5,8%.

A hegemonia das instituições privadas no segmento do EAD é outra evidência do levantamento: essas escolas respondem por 60,5% das matrículas. O restante dos alunos está dividido entre instituições sem fins lucrativos (14,5%) e públicas (15%) – os 10% restantes se referem a fundações, entre outras. A região Sudeste concentra a maior oferta de cursos. Mas é a Sul que aparece no topo do ranking de matrículas, com mais da metade dos registros.

Perfil dos alunos – Com exceção dos cursos corporativos, onde 52% dos estudantes são homens, as mulheres ainda predominam no EAD. Nas modalidades autorizada e livre, elas representam 57% do total de estudantes.

O presidente da Abed defende que a motivação e a disciplina entre os estudantes do EAD já superam as registradas entre os alunos de cursos presenciais. A idade média daqueles é de 30 anos. “Em geral, são pessoas casadas, com filhos e que precisam avançar na carreira. Elas precisam ganhar dinheiro”, diz.
Para Litto, a tendência de crescimento da EAD deve se confirmar nos próximos censos do setor. “As pessoas querem conhecimento, mas também desejam escolher de que forma, onde, quando e como adquiri-lo. Nesse sentido, o ensino presencial é muito limitado”, diz.

Fonte: Veja

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Inovações em EaD na América


Quantas vezes você já leu ou viu uma matéria sobre educação a distância no jornal e se perguntou: “Mas… Como acontece?”. A educação na modalidade a distância tem sido difundida e vem apresentando resultados não apenas no Brasil como no mundo. Este artigo comenta sobre as novidades e inovações na educação a distância na América Latina a partir de uma interessante experiência liderada pelo New Media Consortium(NMC),dos Estados Unidos,e pela Universitat Oberta de Catalunya,da Espanha.Trata-se do relatório “Perspectivas tecnológicas: educação superior na Ibero-América 2012-2017”, que será lançado em breve com versão em português.

O Projeto Horizón reflete um esforço de colaboração plurianual entre o NMC e o eLearn Center da Universitat Oberta de Catalunya, com o objetivo de orientar os responsáveis pela educação superior a respeito dos importantes avanços tecnológicos, a fim de apoiar o ensino, a aprendizagem e a investigação na educação superior. Pela segunda vez neste ano trabalharam em um relatório com a comunidade latino-americana e mais Portugal e Espanha.

A investigação foi desenvolvida com o intuito de elaborar um relatório baseado em uma adaptação do método Delphi e coordenada pelo NMC. Esta técnica permite trabalhar com grupos de especialistas, visando atingir um consenso entre os diversos pontos de vista de seus participantes. Nesse caso, a discussão centrou-se no impacto das novas tecnologias no ensino, na aprendizagem, na pesquisa e na gestão da informação na educação superior ibero-americana nos próximos cinco anos. O relatório sobre a educação superior na Ibero-América 2012-2017 foi elaborado com o objetivo de explorar as tecnologias emergentes e prever o seu impacto potencial no contexto ibero-americano. O trabalho foi realizado entre fevereiro e abril de 2012 e baseado no trabalho de um grupo de quarenta e cinco especialistas.

O grupo iniciou as suas reflexões em torno de uma série de perguntas, de modo a discutir tendências e desafios, além de identificar uma ampla gama de tecnologias com potencial uso educativo. As doze tecnologias emergentes apresentadas no relatório refletem, uma vez que os consultores pertencem às universidades latino-americanas, o estado da educação superior na Ibero-América. Cabe explicar que participam do estudo Portugal e Espanha, que liderou o proceso de discussão.

As tecnologias que ficaram em evidência para os próximos cinco anos foram: aplicações móveis, computação em nuvem, conteúdo aberto, ambientes colaborativos, análises de aprendizagem, aplicações semânticas, uso de tablets, cursos abertos on-line em massa, realidade aumentada, aprendizagem com base em jogos, ambientes pessoais de aprendizagem e geolocalização.

Mas, o que significa essa seleção de tecnologias aplicadas à educação pelos especialistas envolvidos na pesquisa?
Em primeiro lugar, o projeto parte do princípio de que todas as universidades participantes ― e são muitas distribuídas por países como Brasil, Colômbia, México, Uruguai, Venezuela, Argentina, entre outros ― utilizam a tecnologia em maior ou menor grau em seus cursos. Esses especialistas acreditam que existem desafios a serem superados, entre os quais citaram os seguintes pontos que apresentamos para nossa discussão:
  • A alfabetização digital é chave em todas as disciplinas e profissões, sendo necessário promovê-la a partir de qualquer programa educativo;
  • É necessário mudar as estruturas institucionais de acordo com modelos da sociedade do conhecimento;
  • As universidades, em especial seus professores, devem fazer um uso eficiente e apropriado das tecnologias para a facilitação da aprendizagem e da pesquisa.
Entendemos, portanto, que sem a alfabetização digital de nossos professores e alunos, ficaremos à margem do desenvolvimento científico provocado pela chamada sociedade e/ou economia do conhecimento, como propõem Gibbons et al. (1994). As tecnologias devem ser utilizadas não por si só, mas com o intuito da melhoria da aprendizagem. Reparem bem, falamos na melhoria da aprendizagem mudando o foco do professor para o aluno. Isso significa que as tecnologias podem e devem trazer modificações na estrutura do ensino superior, tornando as salas de aula mais cooperativas e utilizando as chamadas redes sociais on-line e buscadores para a pesquisa de conteúdos, resignificando a prática pedagógica em sala de aula.

Algumas tecnologias que foram listadas, como a computação em nuvem, a geolocalização, as aplicações semânticas e a realidade aumentada, referem-se mais precisamente aos desenvolvedores, ao passo que os conteúdos abertos, uso de ambientes de aprendizagem colaborativos, cursos abertos oferecidos massivamente e o uso de tablets referem-se aos professores.

Afirmo isto porque a computação em nuvem trata do armazenamento de arquivos e do acesso a atualizações de software que ficam guardados fora dos servidores e das máquinas das instituições. Com o crescente número de dados a serem armazenados, essa parece ser uma excelente solução, desde que o suporte técnico atenda a contento o usuário.

A geolocalização trabalha com a localização em superfície terrestre, podendo expressar-se com duas coordenadas que podem ser lidas nos dispositivos móveis, tais como o celular, o GPS (que vemos nos táxis, atualmente) e que permite localizar a nossa posição. Podemos gravar as nossas coordenadas ao mesmo tempo em que tiramos fotografias, falamos com amigos ou publicamos atualizações nas redes sociais.

As aplicações semânticas inferem o significado ou a semântica da informação na internet para estabelecer ligações e proporcionar respostas que, de outro modo, implicariam dedicar uma grande quantidade de tempo e esforço. As aplicações semânticas facilitam a investigação, ao permitir ao usuário encontrar, partilhar, combinar e relacionar informação na internet, como já fazemos hoje em diferentes buscadores, tais como o Google, o Bing, o Yahoo, entre outros.

Os sistemas de realidade aumentada (RA) baseiam-se na geração de imagens novas a partir da combinação de informação digital em tempo real e do campo de visão de uma pessoa. Encontramos utilizações da realidade aumentada em cursos técnicos e, atualmente, há possibilidade de grande crescimento, uma vez que alunos podem conhecer detalhes do funcionamento técnico de um problema dado.

A adoção de conteúdos abertos está relacionada com uma mudança cultural, e não tecnológica. O conteúdo aberto envolve não apenas o intercâmbio de informação, mas também o intercâmbio de práticas pedagógicas e experiências. Parte do atrativo do conteúdo aberto também constitui uma resposta aos crescentes custos de publicação e à falta de recursos educativos em algumas regiões, bem como uma alternativa rentável aos livros de texto e outros materiais. No Brasil, uma iniciativa do Ministério da Educação (MEC) pode ser encontrada no site da PUC-RJ ou no Portal do Professor, um programa do MEC. Nesse portal, os professores podem encontrar, em português, metodologias e práticas pedagógicas inovadoras na área de ciência e tecnologia, além de materiais didáticos sob diversos formatos digitais em outras línguas, tais como espanhol, inglês e francês.

Os ambientes colaborativos são espaços on-line (habitualmente alojados na “nuvem”), que facilitam o intercâmbio e o trabalho em grupo, independentemente de onde se encontrem os participantes. O atributo essencial das tecnologias nessa categoria consiste em tornar mais simples para as pessoas que partilham interesses e ideias trabalhar em projetos conjuntos e supervisionar o progresso coletivo.

Os tablets chegaram a ser considerados não apenas uma nova categoria de dispositivos móveis, mas uma nova tecnologia que combina características de portáteis e telefones inteligentes com internet sempre ligada e com milhares de aplicações para personalizar a experiência. Já estão sendo disseminados entre professores e alunos nas universidades.

Enfim, há uma tendência à inovação na educação superior em toda a América Latina, como vimos ao longo deste artigo, mas para que essa inovação se cumpra é necessário romper com velhos paradigmas do ensino, a fim de tornarmos nosso aluno um indivíduo participante e interessado em sua própria aprendizagem.

Por: Gilda Helena Bernardino de Campos

Fonte: comciencia

Uma pesquisadora e suas bananas nas conferências TEDx SP e TED Global


Para quem ainda não ouviu falar sobre as conferências TED ou TEDx e a forma inovadora e rápida de se espalhar ideias e inspirações, explico. O TED, inicialmente reunia três grandes áreas: tecnologia, entretenimento e design (daí a sigla). Teve início em 1984. É uma organização sem fins lucrativos cujo objetivo é o de espalhar ideias por meio de palestras que são disponibilizadas na internet, e tem como slogan a sentença “ideas worth spreading” (ideias que merecem ser espalhadas).
Hoje as palestras reúnem muito mais do que aquelas três áreas iniciais – numa conferência TED, pode-se ver de tudo no palco, desde cozinheiros, comediantes, artistas, empreendedores de sucesso, até cientistas. E, todos, mesmo os mais brilhantes pensadores, além do exemplo e da ideia a ser disseminada, têm de fazer algo ainda mais desafiador: apresentar-se em até 18 minutos.

Na atualidade, existem duas conferências anuais, uma em Long Beach, no estado da Califórnia, nos Estados Unidos, e outra em Edimburgo, na Escócia. Durante quatro dias, mais de mil pessoas participam do evento, com até 50 apresentações que não são divididas em sessões temáticas, ou seja, as informações são compartilhadas com todos os participantes da mesma forma.
Já os eventos TEDx foram criados no mesmo estilo do TED Global, no entanto, são projetados de forma a estimular o diálogo e a troca de experiências localmente, seja por meio de palestras ou vídeos (TEDTalks). Os TEDx são elaborados de maneira independente do TED Global, de acordo com a comunidade local e suas necessidades.

O primeiro evento TEDx no Brasil foi realizado em São Paulo, em novembro de 2009, no Teatro Anhembi Morumbi, no bairro da Mooca . O TEDx SP foi gratuito e contou com a participação de 30 palestrantes e uma plateia de aproximadamente 700 pessoas que ficou atenta das 07h00 até as 20h00. Durante os intervalos, palestrantes e espectadores trocavam experiências. O desafio dos convidados para dar as palestras foi discutir, em no máximo quinze minutos, sobre “O que o Brasil tem a oferecer ao mundo hoje”.

Fui uma das convidadas a dividir o palco do TEDx SP com nomes como Paulo Saldiva, Fernanda Viegas, Osvaldo Stella, Regina Casé e Ronaldo Lemos, dentre outros. Acredito que o convite tenha surgido devido ao reconhecimento nacional do meu trabalho de mestrado, concluído no Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen) no ano de 2008, sob orientação de Mitiko Yamaura; o trabalho recebeu o primeiro lugar do Prêmio Jovem Cientista, do CNPq, e abordou a aplicação de cascas de banana na remoção de poluentes da água.

Quando me falaram que eu só teria seis minutos para explicar o que eu tinha realizado, pensei que era uma brincadeira, mas após assistir alguns TEDTalks, vi que era possível e falei em cinco minutos e cinquenta e um segundos (veja a palestra).

Em linhas gerais, comentei que, frente ao cenário ambiental caótico em que vivemos, o Brasil tem a oferecer, além da criatividade, técnica. Como exemplo, citei meu trabalho de pesquisa e finalizei a apresentação com uma analogia do modelo acadêmico comparando as universidades com a cidade imaginária Laputa, do livro As viagens de Gulliver (de Jonathan Swift), na qual os pesquisadores possuem dois olhos, um virado para dentro e o outro para o alto, impossibilitando-os de enxergar os problemas reais ao redor de si.
Após essa experiência, fui convidada a participar do TED Global 2010, realizado em Oxford, na Inglaterra; lá o tempo foi ainda mais escasso, apenas três minutos. O evento em Oxford foi ainda mais intenso, visto que ao invés de um dia apenas, tínhamos quatro dias de imersão no mundo de novas, ousadas e inspiradoras ideias.

Também fui a outro evento TED e, dessa vez, fiquei na plateia. O TEDx Amazônia ocorreu em novembro de 2010 em Manaus, no Amazon Jungle Palace, com acesso apenas por barco; esse hotel possui um auditório flutuante localizado no Rio Negro, no qual 45 palestrantes e 400 espectadores dividiram suas experiências e emoções durante dois dias. Lá pude conhecer muitas ideias e palestrantes interessantíssimos. Destaco aqui dois nomes, Thiago de Mello (poeta amazonense) e José Claudio Ribeiro (castanheiro do Pará).

O primeiro nos ensinou, por meio de sua poesia, que não temos um caminho novo; o que temos de novo é o jeito de caminhar. Já o segundo, em maio de 2011, infelizmente, transformou-se num mártir, ao ser assassinado junto com sua esposa, por defender a floresta e suas castanheiras nas reservas extrativistas do Pará.

Findados tais eventos, resta uma dúvida: o que fazer com as informações recebidas? Como transformá-las em algo útil? Como sair do mundo das ideias rumo ao mundo real da aplicação e da geração de conhecimento? Informação não é conhecimento, espalhar ideias ainda não é transformar o mundo. De nada vale ouvir, sentir, conversar e fotografar se não causarmos uma mudança na qualidade de vida dos indivíduos ao nosso redor. O que conta são as pessoas e não as coisas.

Por: Milena Boniolo

Fonte: comciencia