quinta-feira, 21 de junho de 2012

USP desenvolve Programa de Educação a Distância para estudantes de dermatologia

Modalidade de ensino pode melhorar aprendizado, além de virar uma alternativa para a pouca carga horária desta especialidade

Pesquisa realizada na Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) desenvolveu programa de educação a distância (EAD) em Dermatologia para estudantes de medicina de graduação e demonstrou que a modalidade de educação pode melhorar o aprendizado dos alunos. De acordo com a dermatologista e professora universitária Cristiana Silveira, o intuito foi avaliar o impacto deste mecanismo de ensino no aprendizado dos alunos e buscar uma alternativa para a pouca carga horária desta especialidade nos cursos de graduação brasileiros.

A pesquisadora explica que, ” embora 15 % das queixas nos ambulatórios gerais de medicina sejam devido a problemas dermatológicos, os médicos se sentem pouco à vontade para conduzir o tratamento de um paciente com doenças na pele, pois em geral seu contato com doenças dermatológicas na faculdade é muito restrito. Se resume a uma média de 25 horas de aula durante todo o curso” .

A pesquisa envolveu 44 alunos do segundo ano de medicina da Faculdade de Medicina da Universidade de Tecnologia e Ciências de (FTC) de Salvador, na Bahia. O curso foi composto por video-aulas, textos, forum de discussão e questões de reforço após as aulas. O assunto do curso incluiu anatomia, histologia, fisiologia e propedêutica dermatológica.

Os estudantes foram divididos em dois grupos. Após uma avaliação de conhecimento prévio, um dos grupo participou de atividades apenas presenciais. O outro, além das aulas presenciais, teve acesso ao curso de educação à distância. Ao término, foram realizadas novas avaliações e verificado que os alunos que realizaram os dois tipos de atividade tiveram melhor desempenho nas provas. A dermatologista explica que ” houve uma diferença de 1.15 pontos entre os grupos na avaliação posterior ao curso. A media dos que tiveram acesso às aulas on line foi 8.9, enquanto a dos alunos apenas presenciais foi de 7.75″ .

Outro dado interessante foi a pesquisa de satisfação em que 98% dos alunos que tiveram acesso às aulas on line conceituaram-nas entre bom e ótimo. ” E passaram a cobrar mais cursos deste tipo, mas existem algumas dificuldades, pois cada aula do curso a distância necessita de um tempo muito maior para ser finalizada, quando comparada ao ensino presencial” , conta.

Ensino à distância

Para ela, embora tenha sido trabalhoso fazer o curso pela primeira vez, a vantagem é que após finalizado basta atualizá-lo. Um fato interessante é a possibilidade de se prender a atenção do aluno e de mantê-lo motivado com a associação de imagens, vídeos e áudios às aulas, pois ” há maior liberdade neste tipo de curso” . Para a dermatologia, em específico, que é uma especialidade visual, ” as imagens complementam a teoria e facilitam o aprendizado” , complementa.

A pesquisadora pôde constatar que, de uma forma geral, existem outros benefícios no uso do ensino a distância quando comparado ao ensino presencial. Um deles é o fato de não ser necessário o deslocamento nem do aluno, nem do professor para o local do curso. Outro é a flexibilidade de horário para o aluno. Segundo a pesquisadora, ” alguns dos estudantes assistiram ao curso de madrugada ou no final de semana e outros o fizeram de forma contínua, ou seja, assistiram as aulas em um mesmo dia, como um curso intensivo” .

Ela diz que o fato de o curso ser a distância ” não significa, entretanto, que vá existir uma ausência de contato entre o professor e o aluno. ” Houve um forum on line para auxiliar em discussões sobre os assuntos das aulas. O aluno postava uma pergunta e em um período máximo de 12 horas a questão era respondida” , comenta. Para ela, esta iniciativa, na realidade, aumentou o tempo de contato entre aluno e professor.

Ainda quanto a esta relação professor/aluno, ela diz ter se surpreendido não tanto com o fato de que alunos disciplinados fazerem o curso de maneira disciplinada, mas ao verificar que alunos que possuíam um comportamento tímido no curso presencial participavam ativamente das aulas on line.

Segurança das informações

Quanto à segurança, o site possui acesso restrito. O aluno só pode acessá-lo por meio de uma senha pessoal. Assim, o conteúdo do curso é disponibilizado apenas para os alunos cadastrados, até mesmo porque o Conselho Federal de Medicina não permite a divulgação de fotos de pacientes sem a finalidade de estudo.

Distância e medicina

” Apesar de os cursos de medicina ainda serem essencialmente presenciais, os cursos à distancia podem se tornar uma alternativa para complementar o tempo de treinamento em dermatologia durante o período de graduação” . E reflete que um médico com pouco tempo de treinamento pode não conduzir bem o tratamento de seus pacientes. E, com isso os gastos com saúde aumentam” .

Ela espera que em breve essas novas modalidades de educação passem a fazer parte do treinamento médico em dermatologia. Outra modalidade que utiliza as novas tecnologias a serviço da dermatologia é a teledermatologia que tem se tornado ” uma nova opção ao atendimento a pacientes que possuem problemas de locomoção ou se encontram em áreas de difícil acesso .”

Para o estudo foi desenvolvido um curso a distância em conjunto com o professor Murilo Barreto do Departamento de Informática Médica da FTC. A dissertação de mestrado Projeto de educação a distância em dermatologia voltado para estudantes de graduação em medicina foi orientada pelo professor Paulo Criado, da FMUSP.

Com informações do R7

Univesp e IMD oferecem educação a distância

A Universidade Virtual do Estado de São Paulo (Univesp) oferece cursos de graduação e pós em diversas áreas do conhecimento que mesclam aulas presenciais com atividades que podem ser realizadas pela internet. Na mesma linha, no segundo semestre deste ano a USP pode vir a aprovar o Instituto de Midias Digitais (IMD), cujo nome ainda é provisório, mas que pretende desenvolver ensino, pesquisa e extensão com base em vídeos, imagens, áudios e textos também por meio da internet.

A ideia dos projetos é similar: disseminar informação por meio do uso de novas tecnologias. O professor Gil da Costa Marques, do Instituto de Física (IF) e um dos responsáveis pelo pedido de criação do IMD diz que “a ideia é proporcionar aos alunos, professores e comunidade em geral, ferramentas que facilitem o acesso à Universidade, complementares ao estudo presencial.” Já o coordenador da Univesp Carlos Vogt comenta: “a Univesp apresenta cursos universitários e tem planos de criar cursos, visando a formação do cidadão”.

Porém, existem diferenças na forma de oferta dos cursos. Enquanto o IMD pretende ter todas as suas aulas abertas ao público, a Univesp tem como procedimento convênios feitos para a realização de vestibulares como o feito com a Fuvest para o curso semipresencial de Licenciatura em Ciências. Isto porque, explica Marques, a intenção do IMD é “a extensão do conhecimento a pessoas com dificuldade de acesso à Universidade por uma questão de trânsito ou por morarem em locais diversos do país.” Já Vogt insiste na ideia de que a Univesp não fornece educação a distância, mas cursos semipresenciais que se utilizam de recursos como a internet como complemento.

Do ponto de vista acadêmico, a diferença é que a Univesp “oferece cursos em parceria com as universidades estaduais paulistas e com o Centro Paula Souza, além de cursos autônomos”, de acordo com Vogt. Enquanto o IMD será responsável por cursos de acordo com as necessidades de cada unidade da USP, preservando suas autonomias.

O discurso de ambos é unívoco, no entanto, quando se fala sobre a questão de relacionamento entre professor e aluno. O professor Marques, por exemplo, afirma que as aulas virtuais “ não substituem as aulas presenciais”, mas dão ao aluno acesso ao conteúdo da mesma em outro horário ou local, quando não possa comparecer à sala de aula. Havendo também a possibilidade de que se contabilize a presença “uma vez que é possível controlar o acesso do aluno ao sistema. Ele diz que, no entanto, “cada professor estabelece a quantidade ou porcentagem de aulas virtuais que conta como frequência”.



Recursos


A diferença básica na forma de obtenção de recursos entre os dois é que a Univesp é uma fundação que será gerida a partir de “financiamento público do Governo do Estado de São Paulo que nada tem a ver com o Imposto de Circulação Sobre Mercadorias (ICMS)” explica Carlos Vogt. Enquanto “o IMD será um Instituto da USP e utilizará recursos fornecidos pela própria universidade”, de acordo com o professor Marques.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

UNIVESP – Universidade Virtual de São Paulo é aprovada

A Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo aprovou nesta terça-feira, 19, o projeto de lei que institui a criação da Fundação Universidade Virtual do Estado de São Paulo – Univesp para oferecimento de cursos a distância. A instituição será vinculada à Secretaria de Desenvolvimento, Ciência e Tecnologia, para a qual terá de enviar, a cada cinco anos, um relatório com a avaliação das atividades e comprovação de que a fundação vem cumprindo seus objetivos.

De acordo com exposição de motivos assinada pelo então secretário de Desenvolvimento Social, Paulo Alexandre Barbosa, a criação da Univesp possibilitará a universalização do acesso ao ensino superior público e ao conhecimento na sociedade digital. Segundo o secretário, tais objetivos serão alcançados a partir da oferta de vagas de graduação e de pós-graduação, e também por meio de cursos de extensão, atualização e educação continuada.

A Fundação precisará agora ser credenciada pelo Conselho Estadual de Educação e pelo MEC, para emitir diplomas. O processo pode demorar entre um e dois anos.

A ideia do governo de dar autonomia à Univesp. Além dos cursos próprios, a Univesp continuará realizando parcerias com USP, Unesp e Unicamp e o Centro Paula Souza. A meta é atingir, em quatro anos, a marca de 24 mil alunos, dos quais 12 mil próprios e 12 mil em cursos conveniados.

O programa Univesp foi lançado em 2008. Os cursos de graduação e pós são semipresenciais, ou seja, têm atividades online e encontros presenciais (que somam de 35% a 60% da carga horária total). Os alunos também assistem a programas produzidos pela Fundação Padre Anchieta e veiculados no canal digital 2.2, da TV Cultura.

Sete dicas para escolher um curso de inglês online

Testes, rapidez na comunicação com o estudante e ferramentas para tirar dúvidas, discutir e treinar o idioma são recursos fundamentais para aulas de inglês online.

“Existem cursos ótimos, alguns com professores nativos, o que permite contato com a comunidade internacional. E, normalmente, os a distância também são mais baratos que os presenciais”, afirma Rosangela Garcia Medeiros, coordenadora de letras das Faculdades Anhanguera de Guarulhos.

A escolha, porém, pode ser complicada. Atualmente, não há normas, rankings ou selos que atestem a qualidade das aulas virtuais. Além disso, os dados do Procon (Superintendência de Proteção e Defesa do Consumidor) não identificam quais reclamações de cursos de inglês se referem aos a distância.

Para fazer a melhor opção, confira as sete dicas:

1- Solicite um período de experimentação

Alguns cursos oferecem períodos de uso gratuito, de uma semana ou um mês. Assim, você pode verificar se se adapta ao sistema e ao material fornecido. A coordenadora de Educação a Distância da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo), Angelita Quevedo, entretanto, diz que a prática não é comum. Vale a pena perguntar à instituição responsável pelo curso.

2- Verifique se o curso oferece exercícios

Perguntas na forma de testes com respostas que aparecem na sequência podem ser motivadoras. Por exemplo: a mensagem “Parabéns! Você acertou 5 de 7 questões”, estimula a ir para a próxima lição. Já a mensagem “Você acertou 2 de 7 questões. Estude mais” mostra que é preciso mais esforço, diminui a ansiedade e ajuda a manter o interesse.

3- Correção rápida e agilidade na comunicação

Para os exercícios com respostas abertas, é preciso que a correção seja ágil: o ideal é que leve entre um e dois dias, no máximo. É bom ter cuidado quando há ausência de comunicação ou falhas no contato com professores e técnicos. Se ocorre demora na resolução de problemas ou na resposta às dúvidas, é sinal de que o curso não é sério.

4- Foco nas quatro habilidades: falar, ouvir, ler e escrever

É necessário checar se o curso tem ferramentas para treinar a fluência oral (a chamada “conversação”, que inclui a capacidade de entender e de responder adequadamente), a leitura e a escrita.

Se seu foco é somente escrita e leitura, teoria, exercícios gramaticais e ortográficos ajudam a alcançar o objetivo. Para a conversação, é preciso verificar se a instituição tem recursos para teleconferências, que permitam a um professor ou tutor corrigir os problemas de pronúncia.

5- Professor disponível

Mesmo para cursos online, a disponibilidade de professores ou tutores é um ponto chave. É preciso que estes profissionais estejam a postos para corrigir textos e pronúncia. Normalmente, em cursos online o professor tira as dúvidas em chats, fóruns, videoconferências ou audioconferências.

6- Teste de seu nível antes de começar

O curso deve oferecer meios para a avaliação do seu conhecimento prévio do idioma. “Se você já tem uma noção e começa pelo básico, fica desmotivado e acaba desistindo”, aponta Rosangela. Com exercícios de proficiência, a escola consegue colocar numa mesma sala virtual alunos que estejam no mesmo nível de aprendizado do inglês.

7- Cheque se há base teórica

“É preciso tomar cuidado com a falta de explicação teórica, no caso de gramática, e com a falta de exercícios”, alerta Angelita.

Com informações do UOL

Fonte: Arquivado em Cursos Online , Educação a Distância

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Plataformas online são tendência no ensino em países estrangeiros

É possível que, no futuro, escolas e universidades sejam deslocadas para uma grande sala de aula na web? O investimento de prestigiadas universidades americanas no sistema de ensino a distância aponta que o método está ganhando cada vez mais espaço no meio acadêmico. Recentemente, gigantes do ensino superior nos Estados Unidos têm aprimorado iniciativas que remontam a projetos como a Khan Academy, site criado em 2006 que disponibiliza videoaulas educativas gratuitamente.

Hoje, mesmo quem não está matriculado em grandes centros universitários tem acesso ao conteúdo das aulas presenciais e pode participar de fóruns online, interagindo com outros estudantes e com professores, a custo zero. A proposta interativa é a base de novas plataformas como o edX, uma parceria entre a Universidade de Harvard, o Massachussetts Institute of Technology (MIT) e o Coursera, do qual participam cinco universidades americanas.

Oferecendo cursos de centros como Princeton e a Universidade da Califórnia em Berkeley, o Coursera teve início no segundo semestre de 2011, quando o departamento de Ciências da Computação da Universidade de Stanford lançou sua plataforma de ensino online. O oferecimento gratuito de apenas dois cursos da instituição levou cerca de 200 mil estudantes do mundo todo a se inscreverem. Segundo Daphne Koller e Andrew Ng, fundadores do Coursera, foi possível perceber no grupo o desejo por experiências educacionais acessíveis e de qualidade e que pudessem capacitar as pessoas a melhorar suas vidas e a de suas comunidades.

A partir de então, o interesse dos estudantes decolou, e foram adicionados novos cursos, que vão desde algoritmos até mitologia grega e romana, oferecidos também por outras instituições conceituadas. Segundo os fundadores, a proposta do Coursera foi muito bem recebida por grandes universidades. O projeto conta com um investimento de US$ 16 milhões (aproximadamente R$ 32 milhões) de empresas do Vale do Silício.

Os cursos oferecidos no site consistem em videoaulas de dez a 15 minutos, disponibilizadas aos poucos (o calendário com as datas de lançamento das aulas está disponível na página de cada curso). As lições são complementadas por meio de testes e exercícios formulados com base em princípios pedagógicos que visam a garantir máxima apreensão e retenção do conteúdo – como o método de domínio da aprendizagem (mastery learning), que permite a cada estudante aprender em seu próprio ritmo. Há, ainda, fóruns interativos onde os estudantes podem trocar ideias com outros alunos e receber feedback dos professores, monitorando seu progresso. O elemento social-interativo é o que diferencia o Coursera de iniciativas como a Khan Academy e os consórcios Open Course Ware – esta última adotada no Brasil por instituições como a Unicamp. Nesse tipo de plataforma, o conteúdo acadêmico disponibilizado gratuitamente em vídeo não é complementado com a assistência dos professores.

Conteúdo, não formação

Os termos do site esclarecem que a intenção do Coursera não é a de substituir o ensino formal: os cursos oferecidos não rendem créditos universitários aos estudantes, e apenas alguns podem emitir certificados de participação, conforme o desempenho do aluno.

Porém, resta o debate sobre como essa nova abordagem irá repercutir no sistema de educação a distância em todo o mundo – somente no Brasil, 15% dos universitários estão matriculados em programas de ensino a distância, e as projeções do Ministério da Educação (MEC) é que o sistema atenda a mais de 600 mil alunos até 2014. “O Coursera tem grande potencial. Certamente o oferecimento de conteúdos educacionais online é uma tendência irreversível que trará impactos na educação formal”, diz o professor Romero Tori, pesquisador da Universidade de São Paulo (USP) e do Centro Universitário Senac e autor do livro Educação sem Distância – As Tecnologias Interativas na Redução de Distâncias em Ensino e Aprendizagem (ed. Senac).

Segundo ele, os pontos fortes desse tipo de iniciativa são a democratização no acesso ao conhecimento – que oferece oportunidades a pessoas de qualquer lugar ou faixa social que desejem aprender de forma autodidata – e a possibilidade dos professores de escolas formais utilizarem o material online como apoio aos cursos presenciais.

Contudo, Tori não crê que o modelo lançado pelo Coursera aponte para um futuro feito de escolas e universidades virtuais e afirma que a substituição dos cursos formais pelas aulas a distância é uma ideia reducionista. “Esses materiais online distribuídos de forma massificada oferecem conteúdos, não formação. Há muito tempo sabemos que os modelos ‘conteudistas’ e baseados em estímulo-resposta – que são justamente os modelos do Coursera, Khan Academy e outros – são ultrapassados. Não que conteúdos não sejam importantes: o erro está em se parar por aí. A boa educação vai além, com atividades que envolvem construção de conhecimento, aprendizagem por projetos, trabalhos em equipe, sempre supervisionados de perto por professores.”

Tori acredita que projetos como o Coursera podem auxiliar na redução da demanda por conteúdo em sala de aula, liberando tempo das aulas presenciais para atividades de construção do conhecimento, além de “desmascarar” profissionais cujo método de ensino é baseado na simples transmissão de conteúdo.

Para José Armando Valente, professor do departamento de Multimeios do Instituto de Artes da Unicamp, as próprias limitações existentes no ensino formal do País dificultam que as vantagens oferecidas por esse sistema, como as atividades de criação coletiva do conhecimento, sejam verificadas na prática. “Hoje, nas salas de aula, não existem tantas possibilidades como nos cursos a distância. Você expõe o conteúdo e o aluno não tem chances de aplicar tudo aquilo que ele está vendo”, diz o professor.

Citando o exemplo das aulas de cirurgia médica, o professor ressalta que o sistema não é totalmente adequado a disciplinas de caráter majoritariamente prático, mas diz que, em grande parte das matérias oferecidas atualmente nos cursos a distância, além do conteúdo, há a oportunidade de se desenvolver atividades mais vantajosas do ponto de vista prático por meio das ferramentas interativas do sistema. “É uma grande oportunidade para as pessoas exercitarem o conhecimento”, afirma.

Koller e Ng também acreditam que as possibilidades oferecidas pelo virtual podem dar origem a uma nova experiência potencialmente tão rica quanto as aulas tradicionais. Os cursos online, que até agora se baseavam principalmente em vídeos complementares às lições presenciais, têm grande potencial para criar novas experiências de aprendizagem que vão além das aulas tradicionais, defendem os fundadores do Coursera. Eles ressaltam que, em vez de simplesmente assistirem a uma aula, cada vez mais os estudantes podem acessar recursos online que inspiram novos modos de pensar, praticar e interagir com o material e as pessoas, contribuem para melhores resultados no aprendizado.

O projeto ainda está aperfeiçoando os métodos de ensino e atendimento ao aluno, mas as expectativas são de que dezenas de milhões de estudantes assistam às aulas nos próximos cinco anos, fazendo das plataformas online uma ferramenta de estudo não só dos estudantes americanos, mas do mundo inteiro.

Fonte: Terra

Divulgada a programação preliminar do 18o. Congresso ABED

18° CIAED Congresso Internacional ABED de Educação a Distância “Histórias, Analíticas e Pensamento “Aberto” – Guias para o Futuro da EAD” será realizado em São Luís – Maranhão, nas dependências da UFMA – Universidade Federal do Maranhão abrindo espaço para que pesquisadores, educadores e dirigentes organizacionais possam apresentar seus Trabalhos Científicos baseados em investigação científica; apresentar relatos de Experiências Inovadoras; participar de mesas-redondas com especialistas do Brasil e de outros países; realizar palestras; inserir-se em grupos de trabalho de diferentes linhas de atuação; e estabelecer contatos profissionais. Veja a versão prelilminar da progrmação do evento.

Palestrantes Confirmados

Alan W. Tait – The Open University - Inglaterra “Os imperativos e os desafios da pós-graduação utilizando a educação a distância e oe-learning”

Antonio Cesar Russo Callegari - SEB/MEC – Brasil “Perspectivas para o uso de EaD na Educação básica”

Carlos Eduardo Bielschowsky - Cederj – Brasil

Claudio Rama - Universidad de la Empresa (UDE) en Uruguay – Uruguai “Aspectos econômicos da educação virtual e a distancia- analise das estruturas custos”

João Carlos Teatini de Souza Climaco - ACS/CAPES/MEC – Brasil

Mohamed Ally - Athabasca University – Canadá “M-Learning – Utilização das tecnologias emergentes na educação à distância para aumentar o acesso à educação”

Ormond Simpson - University of London – Inglaterra “Teorias da educação a distancia – motivando os estudantes a aprender”

Paulo Guilherme Domingos Ferreira Simões - Portugal “Ambientes pessoais de aprendizagem”

Ryon Braga - Grupo Hoper – Brasil “O impacto das metodologias da EaD na reconfiguração do ensino presencial”

XU Zhiying - SBTV – STVU Shanghai TV Universidade – China “Inovação e pesquisa na plataforma de suporte ao estudante em educação aberta”

Alex Sandro Gomes - UFPE – Brasil Software livre e a EaD (Projeto Amadeus)
Barry Sponder - Projeto iCreaNet – Dinamarca

Donald Peterson - Inglaterra

Gonzalo Mendieta - Universidade de San Francisco de Quito – Equador

Ileana María Alfonso Cuba - Cuba

Ronaldo Mota - Inglaterra/Brasil

Vicki Goodwin - Inglaterra

Encontros e Apresentações

 Encontro dos Fornecedores de Produtos e Serviços para EaD
Coordenação: Marcos Resende Vieira – WebAula



 Encontro dos Mantenedores de EaD
Coordenação: Márcia Figueiredo – Barão de Mauá

Susane Garrido – Estácio de Sá



 Encontro das Universidades Corporativas

Coordenação: Lucy Ferraz – Hughes



 Encontro de Tutores e Professores de EaDCoordenação: João Mattar – PUCSP – TIDD
 Encontro dos Movimentos para EaD
Moderação:
ABE-EAD Associação Brasileira dos Alunos de EaD – Ricardo Holz – Presidente
ANEAD – Associação Nacional de EaD – Marta Kratz – Presidente
ANATED Associação Nacional dos Tutores de EaD – Luis Gomes – Presidente

Frente Parlamentar de Ensino Profissionalizante e Educação a Distância – Angelo Agnolin – Presidente (Deputado Federal PDT/TO)



 Dialogo com o MEC, CONAES, SERES, SEB e CAPES

Coordenação: João Vianney – ABED



 Reunião Editorial da RBAAD Revista Brasileira de Aprendizagem Aberta e a Distância

Carlos Eduardo Bielschowsky – Cederj



 Apresentação Resultados do CensoEaD.br 2011 – Relatório analítico da EaD no BrasilConsuelo Fernandez – ABED

Ivete Palange – ABED



 Apresentação resultados do Projeto de Competências para EaD referencias teóricos e instrumentos para validação

Arlette Guibert – ABED

Consuelo Fernandez – ABED

Ivete Palange – ABED



 Apresentações: cases de sucesso para educação aberta, flexível e a distância

Programas de ações móveis para educação profissionalizantes – Senai MA

Cozinha Brasil – Sesi MA

Senac MA

Governo do Estado do Maranhão



 Apresentações “Uso de Tablets, Simuladores e M-Learning na Educação”

Bruno Silveira Duarte – Senai DN

Biopsicoética da educação por competência em EaD: Uma abordagem epistemológica.- José Camelo Ponte – PUC SP

Desafios e conquistas de uma IES privada na implantação de cursos de Ead em nível superior, no interior norte do Estado do Ceará

João José Saraiva Da Fonseca – Inta

Insrições: CLIQUE AQUI

Fonte: Arquivado em Educação a Distância , Eventos

sábado, 16 de junho de 2012

Educação: Não falta dinheiro, falta compromisso.

A qualidade da educação pública no ensino fundamental e médio é de longe o maior desafio que o Brasil enfrenta. Somos um país em que cerca de 50% das crianças da 5a série em todos os Estados são semianalfabetas. Dos 3,5 milhões de alunos que ingressam no ensino médio, apenas 1,8 milhão se formam. Desses, só 10% atingem o nível esperado de aprendizado. O Brasil apresenta um dos cinco piores resultados entre os 56 países avaliados pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico. Isso significa que, todo ano, jogamos milhões e milhões de adolescentes despreparados no mercado de trabalho, sem nenhuma perspectiva de ascensão social e econômica.

O apagão de mão de obra já é uma realidade hoje. Será muito pior no futuro.

Há mais de oito anos coordenamos uma ONG que promove a parceria entre escolas públicas e empresários – a Parceiros da Educação. Já desenvolvemos, ao longo desse período, mais de 100 parcerias com escolas, procurando sempre melhorar a qualidade de ensino delas. Além do impacto nas escolas parceiras, o contato direto com a realidade do ensino público nos trouxe uma visão bastante clara dos enormes desafios do sistema e, com isso, a oportunidade de entender e influenciar políticas públicas que poderão, aí sim, ter impacto na vida de milhares de escolas e milhões de crianças.

Não é difícil concluir que o modelo de ensino brasileiro tem falhas. As estatísticas mostram isso. Precisamos de uma verdadeira revolução na educação pública. Os Estados Unidos a fizeram em 1870, há 140 anos. Em uma década, eles dobraram o investimento na educação pública e universalizaram o ensino. Em 1900, eliminaram o analfabetismo. Em 1910, todas as crianças tinham acesso à escola de período semi-integral. Outro exemplo é a Coreia. Na década de 1970, a Coreia iniciou uma verdadeira transformação na qualidade da educação pública e fez dela prioridade. O resultado se mostrou pelo salto do Produto Interno Bruto (PIB), indicador da geração de riquezas. O PIB, antes inferior ao do Brasil, passou para patamar semelhante ao de países de Primeiro Mundo em menos de duas gerações. O exemplo mais recente é a China. Muito se propagandeia sobre os investimentos em infraestrutura, mas pouco se divulga sobre o enorme esforço educacional chinês, do primário ao curso de doutorado. É fantástico o que estão fazendo na China em termos de educação.

A fórmula para melhorar a educação não tem mistério. Em educação, há muita pesquisa sobre o que funciona e o que não funciona. Primeiro, é preciso que a sociedade entenda que há deficiências e cobre do poder público. Uma das razões pelas quais o país apresenta um dos piores índices do mundo na qualidade do ensino público é que há certa satisfação da população com a educação pública em geral, na medida em que existem escolas disponíveis para todas as crianças. A população, em sua maioria (notadamente a menos favorecida e titular do maior número de votos), não reconhece a péssima qualidade de nossa educação.

O primeiro passo, portanto, consiste em dar ampla divulgação à real situação da qualidade da educação básica no país, alertando a população para as mudanças de base necessárias à correção do problema.

O segundo passo é que cada Estado e prefeitura definam uma nova visão para sua Secretaria da Educação. Mas que seja uma visão arrojada, ambiciosa, que inspire seus stakeholders a sair do gerúndio e a efetivamente buscar um salto qualitativo na realidade de nossas escolas.

Firmada a visão, há que desenvolver e detalhar um plano de curto, médio e longo prazos para atingir a meta. Esse plano, para dar certo, precisa contar com o envolvimento e paternidade de seus futuros executores. Um plano que não se prenda à estrutura atual; que seja transformacional, porém embasado em pesquisas e experiências já testadas, no Brasil e no exterior. E que seja um plano de Estado, e não de um governo. Educação não se resolve em poucos anos – requer continuidade.

A dificuldade de enfrentar as resistências naturais e institucionais à mudança e a incapacidade de execução são, sem dúvida, os maiores obstáculos ao sucesso de um plano que transforme a educação.





Em 2010, na esteira das eleições para governador e presidente, várias entidades ligadas à educação convidaram, na Casa do Saber, 12 especialistas em educação pública para responder à seguinte questão: caso fosse eleito presidente da República ou governador do Estado, quais as cinco grandes iniciativas o senhor tomaria para efetivamente resolver o problema da qualidade do ensino público básico?





O objetivo do encontro não era buscar meras sugestões para integrar um programa de governo para o próximo mandato, mas propostas ambiciosas e transformadoras, sem as ditas “restrições político-partidárias, orçamentárias ou corporativistas”, para que a nação, em dez anos, eliminasse o enorme fosso existente entre a qualidade da educação básica no Brasil e aquela dos países mais desenvolvidos. As conclusões desse trabalho podem se resumidas em três grandes temas:

1) Desenvolver um novo modelo de escola – precisamos revisar a abordagem pedagógica, o conteúdo do currículo e a carga horária. Pesquisas recentes sugerem que a ampliação do número de horas dos alunos em sala de aula proporciona enorme impacto no aproveitamento escolar. Esse novo formato, de regime integral, deveria incluir carga horária de aproximadamente oito horas, infraestrutura como laboratório de informática, ciências, sala de leitura e currículo com maior foco em português e matemática, além da inclusão de matérias optativas no ensino médio.

2) Melhorar as ações pedagógicas – podemos gastar fortunas em infraestrutura sem obter qualquer mudança no aproveitamento dos alunos. O maior impacto vem do aperfeiçoamento da maneira de ensinar. São exemplos de ações a perseguir nessa frente:
• criação e unificação do currículo base nacional – partindo do que já existe, coordenar a elaboração de padrões curriculares básicos, explicitando com clareza as habilidades e competências esperadas por cada série/ano, que possam servir de referência obrigatória tanto para os currículos a ser construídos pelos Estados e municípios como para as avaliações nacionais;
• elaboração de material pedagógico produzido com as novas tecnologias educacionais usadas no ensino à distância e estruturado de acordo com as diretrizes curriculares dos diferentes anos/séries. Esses materiais podem ser usados presencialmente nas salas de aula, como é feito na Coreia;
• fortalecimento da cultura de avaliação e acompanhamento do desempenho dos alunos;
• campanha de alfabetização por meio de programas bem estruturados;
• instituir avaliações diagnósticas para todos os alunos em todas as séries, quatro vezes por ano, com o objetivo de personalizar as intervenções pedagógicas de cada sala de aula;
• criação de equipes de acompanhamento da gestão pedagógica.

3) Investir nos professores – a qualificação desses profisisonais é o fator que mais influencia no aprendizado dos alunos. Por isso, é preciso atualizar os cursos de pedagogia para que os professores, mais que dominar o conteúdo, estejam habilitados a conduzir atividades em sala de aula. Em paralelo, há que promover a contínua capacitação dos atuais professores, gestores e pessoal de apoio em geral, voltada para a realidade da sala de aula, do laboratório, da gestão da escola, da biblioteca, do ambiente escolar. Devem ser oferecidos aos professores materiais estruturados, com práticas de gestão em sala de aula e conteúdo nos moldes dos bons sistemas de ensino.

A carreira precisa ser meritocrática. Mas o magistério público atualmente é uma das carreiras menos atraentes: o salário inicial é baixo, faltam perspectivas, há problemas de infraestrutura nas escolas e a profissão está desvalorizada socialmente. Pesquisas sugerem que os melhores professores abandonam a carreira nos primeiros cinco anos de trabalho. Para mudar esse quadro, a seleção deveria ser mais rígida e as contratações feitas pela Consolidação das Leis Trabalhistas, não por concursos públicos, que garantem estabilidade. O salário inicial tem de ser mais atraente. Parte dele poderia ser baseada em avaliações do desempenho, medidas pelo aproveitamento dos alunos. As promoções seriam igualmente respaldadas por essas avaliações. Além disso, o professor se dedicaria em período integral a uma única escola. Com isso, ele teria mais tempo para preparar as aulas e dar apoio aos estudantes no contraturno.

Há também um impacto enorme da competência e comprometimento do diretor com o resultado da escola. Vemos isso todos os dias nas escolas da Parceiros da Educação (o fator determinante para a escolha de uma instituição parceira é o comprometimento do diretor). Logo, uma sociedade que efetivamente priorize a educação tem de desenvolver uma carreira para esses cargos que atraia e retenha os melhores talentos. Foi o caso de Coreia e Finlândia.

Por fim, é fundamental recuperar a imagem da profissão. Países como Cingapura e Inglaterra fizeram (e fazem continuamente) grandes esforços de marketing e relações públicas para projetar a profissão na sociedade. A Inglaterra conseguiu, em cinco anos, a partir de reformas estruturais e divulgação maciça, levar a profissão de professor da 90a entre as mais desejadas pelos estudantes para o quinto lugar.

Podemos e temos de sonhar em transformar nosso sistema de ensino num dos melhores do mundo. Dinheiro não falta. Faltam sim vontade política e competência. Precisamos colocar a educação como prioridade absoluta de Estado.

Fonte: Revista Época