sexta-feira, 1 de junho de 2012

Ao vivo e em cores – ensino à distância, e-learning, livros eletrônicos, etc

ARTIGO Ensino à distância, e-learning, livros eletrônicos, wikipedia, fóruns e blogs de especialistas etc. Até que ponto a tecnologia pode transformar a forma como aprendemos e obtemos informações? Já sentimos alguns dos efeitos da revolução da informática e, acredito, estamos apenas no começo.

Seria difícil superestimar o papel das invenções sobre o aprendizado. Para sermos precisos, quase tudo o que sabemos é resultado de uma grande inovação tecnológica criada cerca de 5.500 anos atrás, a escrita. Sem ela, dificilmente teríamos ultrapassado o limiar das culturas de transmissão oral, que são severamente limitadas pela memória individual.

Os que gostam de voar alto vão curtir as ideias do filósofo Nick Bostrom, de Oxford. Para ele, se nossos descendentes forem capazes de criar ambientes simulados realistas e de produzir uma consciência artificial, conseguirão gerar realidades virtuais que serão, para todos os efeitos, indistinguíveis de nosso universo. Se cada humano todos os dias depois que chegar do trabalho ligar seu computador e acionar um programa do tipo “crie o seu mundo”, em pouco tempo teríamos gerado uma infinidade de universos paralelos. E isso é provavelmente o mais perto que podemos chegar de ser deuses.

Passados alguns éons, um recenseamento cósmico talvez indicasse que a maior parte do multiverso é constituída de chips e bytes, sendo nosso mundo baseado na biologia do carbono uma raridade entre os seres dotados de autoconsciência. Uma análise estatística certamente levaria um habitante desse possível multiverso a pensar no mundo de carbono como uma simples simulação! Aliás, será que já não vivemos numa?

De volta à realidade, ainda estamos muito longe de poder criar mundos, se é que essas ideias são de fato distinguíveis de um delírio. Acredito até que existe uma importante barreira biológica a impedir uma difusão mais acentuada e decisiva das tecnologias de ensino à distância –e é isso o que eu gostaria de discutir nesta coluna.

Esse limite, penso, atende pelo nome de hipersocialidade. Nós, humanos, somos a espécie mais social do planeta. Sem contato direto, constante e próximo com nossos semelhantes, nem a nossa biologia funciona direito. E as tecnologias ainda não são capazes de proporcionar um nível de interatividade que substitua o intercâmbio com outros humanos.

Exemplos convincentes da necessidade de diálogo real vêm da linguística, que, não por acaso, estuda o mais especificamente humano dos fenômenos sociais. Pesquisadores como Susan Ervin-Tripp, nos anos 70, e Peyton Todd e Jane Aitchison, nos 80, mostraram como crianças que não eram expostas à linguagem oral de forma interativa nos primeiros anos de vida ficavam com sérias deficiências para ouvir e falar.

Um caso que ficou famoso na literatura é o do garoto Vincent, um filho de pais surdos-mudos, mas que ele próprio não sofria de nenhum problema auditivo. Desde pequeno, foi treinado pelos genitores para comunicar-se com eles através da linguagem de sinais, na qual era totalmente competente. Os pais também o encorajaram a assistir bastante televisão e regularmente, acreditando que o aparelho lhe proporcionaria um modelo para falar e ouvir. Só que a TV não substituiu diálogos reais, e Vincent não desenvolveu a fala. Não conseguiu nem sequer adquirir competência para entender o que ouvia.
Esse tipo de efeito não é de todo inusitado. Ao que tudo indica, o cérebro é um órgão que se autoprograma à medida que vai recebendo os estímulos certos, numa complicada interação entre genes e ambiente.

Os genes sozinhos seriam incapazes de programar um cérebro. Nós temos apenas 25 mil genes, enquanto nossos cérebros contam com cerca de 100 bilhões de neurônios, que se ligam a milhares de outros, perfazendo um total de 1014 (o número 1 seguido de 15 zeros) conexões nervosas.

Tamanha desproporção sugere que a informação genética é insuficiente para especificar o lugar de cada neurônio no cérebro, bem como os pontos de ligação com outras células nervosas. Os genes trazem regras muito gerais de desenvolvimento e migração neuronal, que sofrem ajustes ao longo do processo.

A sintonia fina cerebral se faz pela criação de numerosas ligações entre os neurônios (sinaptogênese), seguida da eliminação das conexões que não foram utilizadas (poda). O adjetivo “numerosas” aqui não é força de expressão. Entre a metade da gestação e os dois anos de idade, o cérebro forma 1,8 milhão de novas sinapses por segundo!

O processo de poda é bem mais lento: estende-se até o final da adolescência. Os principais guias a definir quais sinapses serão preservadas e quais cortadas são a necessidade e o prazer. Isso mesmo, o prazer. É ele que nos leva a buscar as experiências certas. As conexões que mais produzem prazer são constantemente estimuladas e, por isso, reforçadas; as menos utilizadas (nem necessárias nem prazerosas) acabam sendo eliminadas.

Num experimento que em algum sentido lembra o caso de Vincent, gatos têm os olhos tapados ao nascer. Sem a experiência da visão presidindo à geração e poda de sinapses, o cérebro deles não aprende a enxergar. Se a venda só for retirada após uma determinada fase crítica de desenvolvimento, os gatos ficam cegos para sempre, embora seu equipamento óptico esteja em perfeitas condições.

Se esse modelo pode ser aplicado ao aprendizado da língua, a experiência de receber passivamente estímulos televisivos não é tão prazerosa quanto a de uma relação dialógica com outro ser humano de carne e osso. Ela não basta para a aquisição da linguagem. Se você pretendia ensinar inglês a seu filho fazendo-o assistir ao Cartoon Network com som original, pode esquecer.

Outros experimentos naturais como o de Vincent mostram o que mais as tecnologias não são capazes de fazer (pelo menos por enquanto).
Um mito popular e recorrente é o de que a TV pasteuriza a língua, impondo uma forma única de falar e destruindo dialetos regionais. Jack Chambers oferece bons indícios de que isso é uma bobagem. Segundo ele, o máximo que a TV faz é popularizar algumas expressões, como o “iabadabadu” de Fred Flintstone, que não costumam ter vida muito longa na língua. São modismos rápidos.

Se a “máquina de fazer doidos” de fato mudasse a forma de falar das pessoas a ela expostas, não teríamos assistido à crescente divergência entre o “Ebonics”, o dialeto falado pelos negros norte-americanos de menor extração social, e o “standard English”. Chambers, que é justamente um especialista em dialetos, diz que a diferença entre as duas formas de falar se acentuou ao longo das últimas décadas, muito embora os jovens negros estejam entre as populações que passam mais tempo diante da TV, que “fala” quase que exclusivamente o inglês padrão.

Tecnologias já fizeram muito pela educação e certamente vão fazer ainda mais. Mas, por maior que seja a plasticidade de nossos cérebros, nós ainda somos um bicho especialmente ávido por contato com outros humanos. Até que os computadores e outras geringonças consigam replicar tudo o que vem no pacote das interações sociais, eles ficarão sempre aquém dos relacionamentos ao vivo e em cores. Se não me engano, foi E.O. Wilson quem afirmou que o homem é 90% macaco e 10% formiga.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

O investimento em educação em todos os níveis é o grande passo da competitividade mundial

 

Ciências sem Fronteiras, educação com barreiras e o Brasil do BRICS (Em economia, BRICS é uma sigla que se refere a Brasil, Rússia, Índia, China, e África do Sul que se destacam no cenário mundial como países em desenvolvimento)

O Governo Federal vem desenvolvendo no setor educacional uma verdadeira revolução – um investimento para levar estudantes e professores brasileiros para as mais renomadas instituições de ensino do mundo, como por exemplo Harvard, MIT, Oxford e Sorbonne, entre outras.
Tudo seria muito lindo, se não fosse um problema, a distância e barreiras que as fronteiras internas do Brasil têm em relação à educação e à formação da maioria dos cidadãos brasileiros.

O programa Ciências sem Fronteiras é uma iniciativa interessante, mas preenche somente uma pequena lacuna na formação profissional e no processo de inovação da gestão do conhecimento brasileiro.

São 100 mil estudantes e professores que poderão se beneficiar, mas, considerando a imensidão geopolítica do Brasil, o número é pífio perto da grandeza e necessidade do país.O novo momento do país, as condicionantes de política externa, o Pré-Sal, o crescimento econômico e principalmente a necessidade de um salto de inovação para o desenvolvimento tecnológico e industrial do Brasil exigem que o Governo gere políticas mais agressivas, e não somente iniciativas que ainda partam de um pensamento de atender uma pequena parcela da população. O foco não é criticar o processo, e sim lhe dar prioridade no que tange ao orçamento e desenvolvimento de uma nova geração de estudantes que farão a diferença nos próximos cinco anos.

O processo poderia ser amplo, considerando um investimento maciço em educação básica e técnica, pois o Brasil sofre com sua base, e principalmente na falta de um ensino de ciências exatas com qualidade. Haja vista a carência de engenheiros hoje no país. Por exemplo: para os próximos cinco anos, são mais de 25 mil.

Avançamos com uma ciência sem fronteiras, e atrasamos ainda com barreiras na educação do país. Se avaliarmos os maiores exemplos de empreendedores e desbravadores da tecnologia e inovação do Brasil, perceberemos que a maioria são pessoas que desenvolveram uma boa base educacional, seja da família como da escola, e na maioria dos casos públicas. E por que hoje isso não acontece mais? Principalmente agora que mais precisamos.

Veja o caso de Ozires Silva, fundador e ex-presidente da Embraer. Uma história igual à de todos os brasileiros. Família pobre, educação pública, mas que teve base e construiu o que hoje é uma das maiores empresas de tecnologia aérea do mundo. Tudo é possível, desde que se tenha base.
O Brasil precisa do Ciências sem Fronteiras, mas o programa deveria ser ampliado para mais de um milhão de estudantes, e temos impostos para isso, pois só esta semana arrecadamos mais de 600 bilhões de reais em impostos, mais um recorde da eficiência da Receita Federal, e com certeza um descompasso da necessidade de educação e formação de que este país precisa. Quanta “cachoeira” de desperdício.

Se compararmos o nosso país com os demais do bloco BRICS, o Brasil está longe da Índia e da China neste quesito. Elas perceberam que o investimento em educação em todos os níveis é o grande passo da competitividade mundial.

São mais barreiras do que “sem fronteiras”. Mas esta questão deve ser debatida diariamente por todos os brasileiros, que devem cobrar políticas públicas de educação, e também cobrar dos estudantes que façam o seu papel – estudar por um Brasil melhor.

Por FÁBIO PEREIRA RIBEIRO – Diário da Rússia

Arquivado em Educação a Distância , Notícias , Tecnologias , Tecnologias EAD

417 mil alunos – Presencial e a distância – A maior do Brasil

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A Kroton Educacional, por meio da subsidiária Editora e Distribuidora Educacional, adquiriu o grupo Uniasselvi por R$ 510 milhões.
Desse total, R$ 335 milhões serão pagos à vista e R$ 175 milhões, ao longo de seis anos. A aquisição colocará a Kroton em uma nova região de atuação no ensino superior presencial, com sete unidades no Estado de Santa Catarina, localizadas nos municípios de Blumenau, Indaial, Brusque, Timbó, Rio do Sul e Guaramirim.

A aquisição é a mais importante da Kroton desde a compra em dezembro da Unopar, no Paraná, por R$ 1,3 bilhão. Em março, o presidente-executivo do grupo educacional, Rodrigo Galindo, afirmou que a empresa previa fazer aquisições pontuais em 2012.

Em março deste ano, o grupo Uniasselvi contava com cerca de 86,2 mil alunos, dos quais 73,7 mil alunos de ensino a distância (EAD). Com o negócio, a Kroton passa a contar com aproximadamente 417 mil alunos de ensino superior, 53 campi de ensino presencial e 447 polos de graduação em EAD credenciados pelo Ministério da Educação (MEC).

O Grupo Uniasselvi é composto pelas sociedades Ítala Participações, Sociedade Educacional Leonardo da Vinci, Sociedade Educacional do Vale do Itajaí Mirim, Instituto Educacional do Alto Vale do Itajaí, Sociedade Educacional do Vale do Itapocu, Sociedade Educacional do Planalto Serrano, Sociedade de Pós Graduação, Sociedade Educacional do Vale do Itajaí Livraria e Editora LDV.

Veja o documento dos acionistas CLIQUE AQUI – PDF


Folha Mercado

terça-feira, 29 de maio de 2012

Por que sobram tantas vagas no ensino superior brasileiro?

Apenas 53% dos alunos que entram na universidade concluem o curso. Nem as instituições particulares nem as públicas conseguem garantir a permanência dos estudantes.
Quase metade (49%) das vagas abertas em processos seletivos de universidades, centros universitários e faculdades não é ocupada no Brasil. O número de cadeiras ociosas ainda cresce no decorrer da graduação, já que dos alunos que ingressam nos cursos apenas 53% obtêm o diploma. No Paraná, os números são semelhantes: a cada 100 oportunidades oferecidas a novos estudantes no ensino superior, 53 são aproveitadas. E, dos universitários que ingressam nos cursos, somente 29 concluem a formação.
Os dados estão no Censo da Educação Superior de 2010, que traz os números mais recentes sobre o tema. A rede particular é onde a ociosidade aparece com mais intensidade, embora as públicas também registrem o problema.

As instituições de ensino superior privadas abriram no Paraná cerca de 160 mil vagas e, ainda que 170 mil candidatos tenham participado de vestibulares, pouco mais de 68 mil alunos se matricularam. Segundo o consultor educacional Renato Casagrande, essa discrepância é explicada, em parte, pela falta de critério técnico na abertura de vagas.

“Raramente se faz uma pesquisa de mercado rigorosa. As universidades lançam um curso e se ele não vinga elas fecham e lançam outro. É uma decisão muito intuitiva”, avalia.
O consultor conta que um cálculo simples costuma ser usado pelo setor na tentativa de prever a demanda e definir o número de vagas a serem abertas.

A concorrência no vestibular da Universidade Federal do Paraná (UFPR) seria a principal referência. Do número de candidatos é subtraída a quantidade de vagas oferecidas pela instituição e o resultado é dividido pela quantidade de instituições privadas que oferecem o mesmo curso na cidade.

Esse procedimento só pode ser executado pelas universidades, já que faculdades e centros universitários têm menos autonomia e dependem de autorização do MEC para abrir cursos ou ampliar vagas. Mesmo assim, segundo Casagrande, é comum esses estabelecimentos pedirem ao MEC mais vagas do que realmente pretendem abrir, pois assim não precisam fazer uma nova solicitação no caso de a procura pelo curso ser grande.

Mensalidade cara

Essas questões administrativas ajudam a inflar as diferenças apontadas pelo censo, mas a evasão motivada pela dificuldade de pagar as mensalidades resulta em números ainda maiores.
O curso de Engenharia Mecânica, por exemplo, um dos mais caros nas universidades particulares de Curitiba (com mensalidades que variam entre R$ 1.279 e R$ 1.876), forma no país, em média, apenas 7% dos alunos que se matriculam no primeiro período das particulares.

Para Casagrande, o Programa de Financiamento Estudantil (Fies) e o Programa Universidade Para Todos (Prouni), que concede bolsas em instituições de ensino superior particulares, são boas iniciativas, mas oferecem vagas numa proporção muito abaixo das necessidades do Brasil. “Se você compara com as linhas de crédito para habitação e automóveis, pode-se notar como esses programas são tímidos”, diz.

Graduação não tem desistência há quase 4 anos

De acordo com o coordenador do curso de Agronomia na UEPG, Cláudio Puríssimo, há quase quatro anos o curso não tem desistências, e a fila de candidatos só cresce. O resultado positivo teria origem na reputação construída desde o início da adoção de sistemas de avaliação pelo MEC.

O curso passou quatro vezes pelo antigo Provão e obteve conceito A em todas as edições, feito alcançado por apenas outras três graduações no país. Desde que o Enade foi implantado, somente em 2004 o curso não obteve a nota máxima, conquistada em todas as edições posteriores. Hoje, é a única graduação de Agronomia do país com duas notas 5 seguidas. A demanda levou a universidade a aumentar recentemente o número de vagas anuais de Agronomia, de 45 para

Prestígio social dos cursos influencia na formação das turmas

Segundo a coordenadora do curso de Pedagogia das Faculdades Integradas do Brasil (UniBrasil), Paulla Helena Silva de Carvalho, o não preenchimento de todas as vagas em cursos de licenciaturas, seja em instituições públicas ou privadas, tem muito a ver com a imagem feita do profissional de educação básica. “É difícil encontrar hoje um professor de Química ou Física, porque quem se forma nessas áreas quer ser é químico ou físico, e não dar aulas”, diz.

Critérios subjetivos de valorização de alguns cursos e algumas instituições seriam, inclusive, mais relevantes na escolha feita pelos estudantes do que rankings ou índices de medição de qualidade. É o que diz Luana Kava, responsável por programas de orientação profissional no Colégio Decisivo. “Os alunos raramente falam sobre os índices do MEC”, afirma. Essa seria a razão pela qual as universidades federais nunca perdem seu prestígio, ainda que alguns dos cursos mais bem avaliados nem sempre sejam ofertados por elas. O professor de Psicologia Décio Zanoni Júnior, da Faculdade Dom Bosco, confirma a importância relativa desses índices, mas diz que há uma tendência de que eles ganhem relevância no processo de escolha.

Evasão

Nas públicas, desistência é principal fator de preocupação
Com índices de concorrência muito maiores, as instituições públicas naturalmente ficam mais próximas de preencher a totalidade de vagas oferecidas nos processos seletivos e nas chamadas complementares. Os números da evasão, por outro lado, preocupam. Para cada 100 vagas oferecidas no Brasil, são feitas 92 matrículas, mas apenas 40 alunos chegam à formatura.
Segundo Cláudio Puríssimo, coordenador do curso de Agronomia da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), que está entre os mais bem avaliados do país, o total de vagas só não é preenchido na primeira chamada em função da cultura de se prestar vestibular em várias instituições. “Estudantes de outros estados ou cidades fazem a prova e depois optam por não vir”, diz. Já as causas da desistência no decorrer desse e de outros cursos são múltiplas.

As vagas oferecidas pelo Programa de Ocupação de Vagas Remanescentes (Provar) da UFPR dão algumas pistas sobre os motivos do abandono. Cursos que exigem permanência em tempo integral do estudante na universidade, reduzindo as possibilidades de trabalho remunerado, estão entre os que mais abrem vagas remanescentes.

O curso integral de Química, por exemplo, ofereceu 11 vagas para serem repostas no início de 2012, e o de Agronomia, 18. Em toda a universidade foram oferecidas 299 vagas para transferências de outras instituições. A média gira em torno de 4 vagas por curso.

Sisu
Na Univ
ersidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), onde é usado o Sistema de Seleção Unificada (Sisu) do MEC, algumas vagas permaneceram abertas devido ao não comparecimento de alunos chamados. O Sisu é um sistema on-line que seleciona alunos de todo o país com base na nota do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Os candidatos não precisam se deslocar até a cidade onde a instituição está localizada para prestar o vestibular.

Fonte: Gazeta do Povo

Muito além do preconceito: ensino a distância será modalidade do futuro


Não há dúvida de que todos os profissionais que buscam o sucesso precisam estar sempre preocupados com qualificação. Porém, será que todas as formas de capacitação são reconhecidas pelo mercado? O ensino a distância, por exemplo, ainda gera muita desconfiança sobre sua real eficácia. Mas, será que isso é puro preconceito ou realmente é uma modalidade de ensino menos eficiente?
Para o diretor da FGV Online, Stavros Xanthopoylos, as dúvidas em torno do ensino a distância é algo muito mais cultural do que qualquer outra coisa. Cultural, pois a sociedade é bastante resistente às mudanças de uma forma geral. Porém, conforme pontua o diretor, já existe um grande questionamento em torno do tradicional método ensino, ou seja, sala de aula, alunos e professor.
Muitos estudiosos, pedagogos, e os próprios alunos já estão se questionando se o modelo padrão de ensino realmente é o melhor. Ainda, em relação ao ensino a distância, é um tanto quanto contraditório as pessoas nutrirem preconceito se as ferramentas utilizadas por essa modalidade de ensino são as mesmas usadas no dia a dia, tanto da vida profissional quanto pessoal.


Ou seja, usamos o computador e a internet, com todos os seus recursos, como vídeos e chat, rotineiramente. Assim, se já estamos acostumados e completamente adaptados a esses recursos, por que, então, não aceitamos o ensino a distância, que utiliza os mesmos itens?
Olhando para o futuro, Stavros acredita que o modelo de ensino que vingará terá um formato misto. Ou seja, parte a distância e parte presencial. Os alunos usarão o espaço virtual para se preparem antes do encontro com os professores. Assim, quando estiverem na sala de aula, a troca de conhecimento será muito mais intensa e a experiência, muito mais rica do que é atualmente.

Os mitos que rondam o ensino a distância

Vale pontuar, porém, que existe alguns mitos sobre o ensino a distância. Primeiro, ele não é para qualquer um. É importante que o interessado tenha consciência que essa modalidade exige um perfil específico. Ou seja, uma pessoa que tem a capacidade de sentar na frente de um computador e se dedicar ao estudo.
Além disso, o ensino a distância não é tão flexível quanto se pensa. Existe um calendário de atividades e é preciso comparecer a encontros presenciais, sobretudo, para a realização de provas. “O que falam sobre ser a qualquer hora e em qualquer lugar, é relativo”, diz Stavros.

Os cuidados

Caso tenha decidido por um curso na modalidade a distância, vale observar algumas dicas. Na hora da escolha, veja se a instituição é reconhecida pelo MEC (Ministério da Educação). Qualquer modalidade de ensino deve ser reconhecida pelo MEC para que o diploma tenha validade. Analise atentamente as disciplinas e o conteúdo programático. Certifique-se de que você terá um tutor e muita atenção ao material.
Ainda, verifique se há suporte técnico e as credenciais da instituição. Ou seja, se é reconhecida pelo mercado.

Modalidade aprovada

O empresário Celso Vieira Junior cursa a modalidade a distância de Administração de Empresas na Fagen/UFU (Faculdade de Gestão de Negócios da Universidade Federal de Uberlândia). Para Vieira, o curso é bastante sério, já que os prazos estipulados e combinados são cumpridos. Além disso, “a grade é a mesma da presencial; e os critérios de avaliação são claros e cumpridos pelos professores”, diz.

Já na fase do TCC (trabalho de conclusão de curso) Vieira aponta como sendo bastante positivo o fato de que “a bibliografia é atualizada e há preocupação dos docentes com a aplicabilidade dos conceitos no mercado de trabalho”. Além disso, destaca que seu tutor é muito bom e que a afinidade que teve com ele permitiu um grande aprendizado, “quando há afinidade pessoal com o tutor, asseguro que se aprende muito mais do que no ensino presencial”, diz Vieira.

Apesar de morar em São Paulo e ter que viajar para Uberlândia algumas vezes por mês, o empresário não destaca isso como algo negativo, “adoro quando tenho que viajar e ficar um pouco sozinho. Nesses seis anos tive tutores ótimos com quem desenvolvi várias ideias interessantes, que eram formalizadas ali, na viagem; Muitas vezes, depois das provas, ficava conversando com os tutores, sobre os conceitos aprendidos”, lembra Vieira.


Fone: InfoMoney

 

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Com aulas gratuitas, plataformas de ensino online atraem investidores

Professores de importantes universidades, como Harvard e Stanford, criam conteúdo para aulas via internet


A rápida adoção do meio online para a disseminação de cursos por grandes universidades internacionais, como a recente iniciativa edX – uma parceria de Harvard e do MIT para oferecer aulas via internet – já atrai investidores de olho no futuro do negócio.


Na “sala de aula invertida”, os vídeos expõem o tema, e o professor orienta na hora de fazer os exercíciosEm meados de abril, o jornal The New York Timesanunciou que a Coursera, uma companhia que reúne cursos online de cinco universidades americanas – Princeton, Stanford, California-Berkeley Michigan-Ann Arbor e Pennsylvania – deveria receber uma injeção de US$ 16 milhões (R$ 32 milhões) de duas grandes firmas de capital de risco.


Do mesmo modo que os cursos que passarão a ser oferecidos pela edX – controlada por uma parceria sem fins lucrativos – as aulas da Coursera também são gratuitas. Mesmo assim, os investidores veem potencial de lucro no negócio. “Numa comunidade de milhões de aprendizes, alguns deverão optar por serviços premium, pagos”, disse ao diário nova-iorquino John Doerr, um dos investidores da Coursera, explicando o modelo de negócio que vê para sustentar os Cursos Online Maciçamente Abertos, ou MOOCs, como são chamados, na sigla em inglês.


O modelo do edX, mesmo sendo gratuito, prevê a cobrança de uma “tarifa modesta” pelos certificados de conclusão de seus cursos que, ainda assim, não serão equivalentes a um cédito acadêmico ou diploma emitido por uma das universidades participantes. Cada uma das duas instituições parceiras anunciou um aporte de US$ 30 milhões, para um capital total de US$ 60 milhões (cerca de R$ 120 milhões), no estágio inicial do programa.


A Coursera, por sua vez, nasceu de uma parceria de dois acadêmicos de Stanford, Andrew Ng e Daphne Koller. Ng foi um dos idealizados do projeto Stanford Engineering Everywhere (SEE), que disponibilizou gratuitamente, online, mais de uma dezena de aulas do curso de Engenharia da universidade.


A Coursera já mantém online uma série de cursos, que vão desde uma história do mundo desde a Idade Média, de Princeton, a Engenharia de Software, de Berkeley. Os cursos são divididos em módulos semanais, compostos por vídeos e exercícios online. Em vez de exposições estáticas em vídeo, como aulas gravadas, nas exibições da Coursera os vídeos são interrompidos por ilustrações criadas especialmente para a internet e por atividades interativas, como exercícios para avaliar a compreensão do tema até ali.
O presidente de Stanford disse que a questão do ensino à distância é a principal de suas preocupaçõesO site mantém fóruns de discussão, onde os estudantes podem comentar suas dificuldades e tirar dúvidas, além de comentar os exercícios. Quando o estudante precisa submeter redações ou artigos, como parte de seus deveres, as notas são dadas pelos colegas. Trabalhos escolares de avaliação mais objetiva, como a resolução de equações, são corrigidos automaticamente.

Inversão
O conceito lembra a “sala de aula invertida” popularizada pela Khan Academy. Criada por Salman Khan, com apoio da Fundação Bill e Melinda Gates, a academia, sem fins lucrativos, concentra vídeos em animação explicativos, que buscam funcionar como aulas sobre temas do ensino fundamental e médio.
Na “sala invertida”, os vídeos, assistidos em casa pelos estudantes, são usados para expor o conteúdo. Já o tempo na escola, para tirar dúvidas e fazer exercícios com o acompanhamento dos professores. Segundo Khan, isso inverte o paradigma clássico de aulas expositivas aplicadas coletivamente na escola e de exercícios feitos de modo solitário, como parte do dever de casa.
No caso da Coursera,o aluno assiste à aula sozinho, em casa, e depois interage com os colegas, tirando dúvidas e comentando os trabalhos,no fórum online.

´Tsunami’

Outra startup do setor dos MOOCs é a Udacity, também criada por gente de Stanford: no caso, Sebastain Thrun, que em 2011 ofereceu um curso online gratuito pela universidade, de introdução à inteligência artificial, que atraiu mais de 160 mil estudantes de todo o mundo, sendo que 22 mil concluíram a matéria, recebendo um certificado que, no entanto, não equivale a um crédito acadêmico de Stanford.

No início do ano, Thrun anunciou que estava deixando Stanford para se dedicar à nova empresa de educação via internet. A Udacity oferece cursos voltados para a tecnologia da informação – por exemplo, Design de Programas de Computador; Construção de Motores de Busca; Criptografia Aplicada. O modelo é semelhante ao da Coursera, com trechos breves de vídeo seguidos de exercícios e tarefas online.
Os vídeos são interrompidos por ilustrações criadas especialmente para a internet e por atividades interativasO avanço dos cursos de distribuição maciça pela internet já causa preocupação entre os responsáveis por instituições tradicionais de ensino – publicações como o jornal Chronicle of Higher Education vêm trazendo, há algum tempo, artigos que comparam o estado atual do Ensino Superior ao dos jornais e revistas de papel no início da era dos noticiários online.

Em entrevista recente à revista New Yorker, o atual presidente de Stanford, John Hennessy, disse que a questão do ensino à distância é a principal de suas preocupações. “Há um tsunami a caminho”, declarou.

Fonte: Unicamp

Perfil do universitário brasileiro – Presencial e a distância


Ana Carolina Cabrelli, 21, acorda todos os dias às 6h da manhã para ir ao trabalho. Depois de uma hora dentro do transporte público de São Paulo, ela chega à fábrica onde faz estágio. O dia dela, no entanto, só termina por volta das 23h30, depois que ela volta da faculdade particular onde cursa nutrição.
Além de ter a rotina de boa parte dos estudantes brasileiros, Carolina é praticamente um “modelo” de aluna do ensino superior presencial do país, segundo estudo do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais): mulher, frequenta uma instituição privada, faz bacharelado noturno e tem 21 anos.


Os dados do Inep estão no Resumo Técnico do Censo da Educação Superior 2010. No ensino a distância, o perfil é semelhante: a aluna é mulher, tem 29 anos e faz uma licenciatura numa instituição privada.


Neste ano, o governo traçou um perfil do estudante brasileiro por curso. As mulheres “dominam” os cursos das áreas de educação, humanidades e artes, ciências sociais, negócios e direito, saúde e bem estar social e serviços. Já os alunos dos cursos de ciências, matemática e computação, engenharia, produção e construção e agricultura e veterinária são majoritariamente homens.

Turma de Carolina só tem mulheres

Carolina diz que se decidiu por nutrição ao manter contato com pessoas da área de saúde. Segundo ela, em sua turma, na Uninove (Universidade Nove de Julho), o perfil padrão se repete: só há meninas. “A maioria também acorda supercedo, vai trabalhar e dorme supertarde”, conta.
Ela diz se arrepender de não ter prestado vestibular para a USP (Universidade de São Paulo). “Não estudei pra isso e acho que deveria ter me dedicado mais pra tentar uma faculdade pública”, diz.
Mesmo feliz com a opção escolhida, a estudante diz ter dúvidas se escolheu o curso certo. “[Na época do vestibular] Não pensei em fazer outro curso. Agora, penso em fazer outra coisa. Gosto muito do que eu faço, mas não sei se foi a escolha certa. Às vezes, cogito fazer outro curso. Alguma coisa relacionada a marketing”, afirma.




Fonte: Uol