terça-feira, 25 de outubro de 2011

Reprimir erros afasta criatividade da empresa

Por Viviane Sousa - 13/04/2011
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À primeira vista pode parecer estranho, mas erros cometidos por funcionários pela falta de habilidade ou excesso de entusiasmo não devem ser reprimidos severamente pelos gestores. Segundo Alexandre Prates, especialista em liderança, desenvolvimento humano e performance organizacional do ICA (Instituto de Coaching Aplicado), o correto é apenas orientar para o equívoco não volte a acontecer. E o motivo é simples: tais erros permitem que os funcionários liberem a criatividade e desenvolvam projetos inovadores para a empresa. Além disso, a equipe pode aprender mais com os erros cometidos.
"Quando os funcionários não são desafiados a criar e não têm 'liberdade' de errar eles se acomodam. Com medo de possíveis consequências que um erro pode gerar, perdem a coragem e a vontade de inovar, de dar sugestões e até mesmo de se envolver mais com as atividades que exercem. Quem perde com isso é a empresa, que deixa de aproveitar o potencial de muitos talentos”, destaca Prates.
Convém, no entanto, alertar para um risco. Antes de estabelecer uma cultura de desafios e de maior liberdade para os funcionários, é importante adotar medidas que impeçam os departamentos de se transformarem em campo de testes de criação sem qualquer tipo de planejamento, pois isso pode levar a prejuízos.
Para evitar problemas como esse e, ao mesmo tempo, minimizar erros, a dica é estabelecer regras e limites, planejando as ações com detalhes. “Qualquer ideia, por exemplo, deve ter seus prós e contras avaliados pelo autor e por seu gestor antes de se tornar um projeto. Já quando se transformam em projetos precisam ter principalmente custos e riscos medidos antes de serem colocados em prática. O importante é que o planejamento garanta o máximo de certeza de que a inovação trará resultados positivos. E isso deve ser estimulado em todas as áreas”, recomenda Prates.
Se, nesse processo, um erro for cometido, o gestor precisa avaliar as razões e orientar corretamente a equipe. "A falta de alguma habilidade ou conhecimento é um problema que pode ser resolvido com treinamento. Já o erro por excesso de entusiasmo é facilmente corrigido com conselhos”, explica Jane Souza, consultora de RH do Grupo Soma – Desenvolvimento Corporativo. Segundo ela, incentivar o funcionário a admitir o erro e a ser proativo na busca de soluções é muito importante nessa hora.
Erros por falta de comprometimento
Esse é um problema que precisa ser combatido. Para isso, deve-se identificar as causas, que normalmente são falta de motivação ou desgaste físico ou mental. Ambos estão ligados diretamente à empresa. A equipe pode estar desmotivada pela falta de benefícios, de melhores condições de trabalho e, até mesmo, de ferramentas básicas para exercer sua função adequadamente. Já o desgaste pode estar relacionado ao excesso de trabalho diário e a longos períodos sem folgas ou férias.
Para Jane, “esses são problemas que a empresa precisa e pode evitar com programas elaborados pelo RH com base nas necessidades dos funcionários e de seus departamentos". No entanto, se for constatado que a falta de compromisso tem a ver com dificuldades do funcionário de se encaixar ou aceitar a cultura da empresa, por mais que suas expectativas sejam atendidas, é recomendado avaliar se vale a pena ele continuar na equipe.
Medidas como essas são simples de adotar e podem ajudar sua empresa a aproveitar mais o potencial dos funcionários para inovar e, assim, obter maior eficiência. Pense nisso!

Veja também:
SM Responde: como motivar os funcionários?
Matéria da edição: AGOSTO: Top Five
Leia mais sobre: Erros , Motivação , Planejamento , Recursos Humanos
Permalink:

Fonte:  Supermercado Moderno

terça-feira, 11 de outubro de 2011

1.500 vagas gratuitas de mestrado para professor

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Estão abertas até o dia 26 próximo as inscrições para curso de mestrado profissional, gratuito, destinado à qualificação de professores de matemática. São oferecidas 1.525 vagas, em todo país, em 65 polos da Universidade Aberta do Brasil (UAB).
Financiado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) do Ministério da Educação, o curso de pós-graduação destina-se a professores de matemática da educação básica, especialmente de escolas públicas. Ele será ministrado na modalidade semipresencial por uma rede de instituições de educação superior ligadas à UAB, sob a coordenação da Sociedade Brasileira de Matemática.
Para concorrer às vagas, os candidatos terão de passar pelo Exame Nacional de Acesso, que consiste em prova única, em 26 de novembro, com questões objetivas e discursivas e duração máxima de quatro horas. Cada polo do programa destinará 80% das vagas a professores da rede pública de educação básica.
Estão abertas até o dia 26 próximo as inscrições para curso de mestrado profissional, gratuito, destinado à qualificação de professores de matemática. São oferecidas 1.525 vagas, em todo país, em 65 polos da Universidade Aberta do Brasil (UAB).
Financiado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) do Ministério da Educação, o curso de pós-graduação destina-se a professores de matemática da educação básica, especialmente de escolas públicas. Ele será ministrado na modalidade semipresencial por uma rede de instituições de educação superior ligadas à UAB, sob a coordenação da Sociedade Brasileira de Matemática.
Para concorrer às vagas, os candidatos terão de passar pelo Exame Nacional de Acesso, que consiste em prova única, em 26 de novembro, com questões objetivas e discursivas e duração máxima de quatro horas. Cada polo do programa destinará 80% das vagas a professores da rede pública de educação básica.
Matrícula — Ao fazer a matrícula, como determina o edital do Exame Nacional de Acesso, os candidatos aprovados devem apresentar contracheque ou declaração da Secretaria de Educação, estadual ou municipal, ou ato de nomeação publicado no Diário Oficial do estado ou município. Além disso, devem apresentar declaração do diretor da escola, com firma reconhecida, de que estão no exercício da docência de matemática no ensino básico.

Clique aqui para baixar o EDITAL


Para fazer inscrição CLIQUE AQUI

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quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Faltam 6 milhões de professores

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Estimativa da ONU é a de que, se não forem contratados, países não atinjam meta de dar ensino básico a todas as crianças até 2015.

A Organização das Nações Unidas (ONU) estima que são necessários 6,1 milhões de professores em todo o mundo para que o acordo de universalização da educação básica até 2015 seja cumprido. A meta de garantir que todas as crianças do mundo concluam o ensino básico até essa data faz parte dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, compromisso assinado por 191 países em 2000.
O alerta foi feito nesta quarta-feira, em que se comemora o Dia Internacional do Professor. Segundo a organização, do total, 2 milhões de professores precisam ser formados e contratados. Os outros 4,1 milhões de profissionais são necessários para substituir professores aposentados, doentes ou que trocarão de carreira até lá.
A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) diz que metade dos docentes precisam atuar na África Subsaariana. Os Estados Árabes necessitam de 243 mil profissionais, outros 292 mil devem trabalhar no sul e oeste da Ásia e a Europa Ocidental e América do Norte, precisam de mais 155 mil professores.
A Europa Central e a Oriental, a Ásia Central e a Ocidental, a América Latina e o Caribe, juntos, somam 11% da escassez global. “Se quisermos dar oportunidades iguais para nossos filhos e filhas, devemos criar políticas que estimulem homens e mulheres à profissão de docente”, afirmou a Diretora-Geral da Unesco, Irina Bokova.
O tema do Dia Internacional do Professor em 2011 é “Professores para a Igualdade entre Gêneros”. A Unesco está promovendo fóruns e divulgação de estudos sobre o tema em homenagem à data.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Pierre Lévy – Novas Formas de Saber

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As tecnologias de comunicação, mesmo as mais avançadas, não são capazes de construir por si próprias novas formas de saber e de inteligência. Isso porque, seu impacto sobre as existências individuais e coletivas depende diretamente da habilidade das pessoas que as utilizam. A afirmação é do filósofo francês Pierre Lévy, celebrado como um dos pensadores de ponta da cibercultura. Afinal, defende o criador do conceito de inteligência coletiva, ao longo da história, os seres humanos vêm se adaptando a padrões estabelecidos pelos mais diversos tipos de equipamentos, dos telefones convencionais aos tablets, fazendo os mais diversos usos deles. É a habilidade demonstrada pelas pessoas na interação com os equipamentos que torna mais ou menos ricas a produção e a transmissão de informação mediada pela tecnologia e, consequentemente, o processo de produção do conhecimento. Leia, a seguir, a íntegra da entrevista coletiva concedida por Lévy recentemente em São Paulo e da qual a Pré-Univesp participou.

Pré-Univesp: Muitas pessoas afirmam a relação entre homem e computador ou celulares como sendo intuitiva, em especial os desenvolvedores que trabalham a usabilidade. O senhor considera que a tecnologia simplifica ou complica a vida das pessoas?

Pierre Lévy: A resposta simples: complica! (risos)

Pré-Univesp: Em que medida a aprendizagem de uma nova tecnologia é intuitiva ou depende de processos ou movimentos educacionais (não necessariamente formais) e culturais? Entender a relação tecnologia e homem como intuitiva não acaba sobrepondo diferenças culturais, étnicas, etárias ou socioeconômicas?

Pierre Lévy: É verdade que os grupos sociais que vivem em condições desfavoráveis têm mais dificuldade para utilizar as novas formas de comunicação. Há uma espécie de padronização dos protocolos de comunicação no mundo todo. Tomemos dois exemplos. O primeiro é o telefone. Usar alguns números para contatar uma pessoa é muito estranho, se pararmos pra pensar. Mas com a usabilidade, é possível selecionar o nome de quem se deseja contatar e a ligação é feita. Esquecemos os números, mas eles estão ali. Por causa da padronização podemos telefonar de qualquer ponto do mundo para qualquer parte do globo. Assim, a padronização é inevitável. O segundo exemplo é o carro. Os carros são todos iguais. Há pequenas diferenças, como a mão da direção na Inglaterra, que é do lado esquerdo ou mecanismos automáticos que existem em alguns carros e em outros não. Mas todo o resto é exatamente a mesma coisa no mundo inteiro. E essa padronização simplifica a vida das pessoas, sobretudo das que viajam. É evidente que se pode ter uma adaptação local, mas eu acho que no futuro a padronização industrial vai continuar, especialmente no campo das comunicações e telecomunicações. Essa é uma tendência irrefreável. E eu acho que isso é bom, pois não haveria internet se não tivéssemos o sistema de endereçamento padronizado. Não haveria world wide web sem sistemas universais de páginas, URLs, e assim por diante. Se quiser ainda outro exemplo, temos o formato digital para músicas mp3, que é o mesmo para diferentes tipos de música. No nível técnico, isso é completamente padronizado. Assim, a padronização da técnica é uma coisa e a padronização do conteúdo é outra completamente diferente. Existe a música africana, a música brasileira… Por isso, precisamos distinguir a padronização técnica da padronização cultural. Acredito que a padronização técnica é uma coisa boa para a mudança cultural; misturar diferentes tendências, diferentes correntes, diferentes culturas.

Pré-Univesp: Mas o fato de os produtos serem padronizados supõe que as pessoas terão a mesma facilidade para utilizá-los sejam elas de qualquer origem ou cultura?

Pierre Lévy: Esse é um aspecto material, de computadores, iphones… Mas eu diria que é difícil para todo mundo, muito mais para culturas orientais e países do hemisfério sul, especialmente, para a geração mais antiga, em qualquer lugar. É menos uma questão de país de origem do que de quantos anos tem o usuário dessas tecnologias. Eu tenho dificuldades. Não gosto de smartphones, são muito pequenos, a visualização é difícil… Não gosto.

Pré-Univesp: Nós temos hoje em dia os smartphones, os tablets e diversos outros equipamentos que contribuem para o desenvolvimento da inteligência coletiva. Qual é o real papel dessas ferramentas nessa nova forma de construção do saber? Como elas podem definir essa construção?

Pierre Lévy: Não é o gadget que eu uso que é definidor: é a habilidade em usá-lo. O que é importante é que nós estamos agora criando ambientes em rede onde a comunicação é ubíqua. Isso quer dizer que de qualquer lugar é possível se comunicar com alguém que está conectado à rede. Este é o primeiro aspecto. O segundo aspecto é que nós temos hoje uma capacidade quase infinita para guardar informação, e isso praticamente sem custos. E o terceiro aspecto é que nós temos um tremendo crescimento da potência computacional, que é a capacidade de o computador fazer operações automáticas através de números, através de símbolos, tornando mais eficaz o processo de comunicação. Então existem: a potência computacional, a comunicação ubíqua por internet e a capacidade quase infinita de guardar informações. Com esses três aspectos nós temos um novo ambiente de comunicação, e esta é a base técnica para o desenvolvimento de um novo tipo de inteligência coletiva. Se existem essas três ferramentas, automaticamente se desenvolve um ambiente forte de comunicação que permite desenvolver a inteligência coletiva. A exploração ou o uso dessa capacidade depende de cada um e não das ferramentas.

Pré-Univesp: Como os processos cognitivos impulsionados e modelados pelas atuais tecnologias de comunicação móveis, que estão avançando forte e rapidamente, diferem das tecnologias digitais de cinco, dez anos atrás?
Pierre Lévy: Não há tantas diferenças assim. A comunicação móvel teve avanços e a noção de ubiquidade está em todo lugar e em todas as coisas. Essa é a principal diferença. Para todo o resto, não há grandes diferenças, a meu ver.

Pré-Univesp: Hoje nós temos uma infinidade de ambientes virtuais abertos que podem ser usados na educação, além de novas tecnologias que se apresentam a todo momento. Que tipo de impacto esses ambientes e essas tecnologias estão causando no ensino?

Pierre Lévy: A primeira dificuldade em responder esta questão existe porque nós temos a educação primária, a secundária, a educação superior e, além disso, a pós-graduação sendo que cada uma tem seu estilo de aprendizado. Eu penso que, na educação primária, o relacionamento das crianças com os números, com as palavras, pode ser francamente fortalecido quando elas têm a possibilidade de manipular esses elementos – eu digo as palavras e os números – em telas, seja em computadores ou em tablets. E melhor ainda se essa dinâmica for realmente interativa, online. Então, é possível fazer uso de todas essas tecnologias na educação primária. Mas eu tendo a pensar contra a ideia de um impacto da tecnologia na educação. Não há um impacto da tecnologia na educação. Há ferramentas que estão disponíveis e há educadores que podem usar essas ferramentas de um modo ou de outro. O modo como se usa essas ferramentas é que é importante e não as ferramentas em si. É possível criar várias estratégias de ensino fazendo uso dos mesmos instrumentos, mas não há um impacto que seja automático e universal. Cada um pode explorar essas ferramentas a partir de uma determinada estratégia pedagógica: e é essa forma de aplicação que realmente define a eficácia da utilização dos instrumentos.

Pré-Univesp: A educação faz a ponte entre o passado, o presente e o futuro, pois é a via de transmissão cultural, em sentido amplo. Com o avanço das tecnologias de comunicação, o senhor entende que a educação vem perdendo sua centralidade nesse processo?

Pierre Lévy: De forma nenhuma. Tudo o que uma geração aprende depende do que a geração anterior deixou. As novas tecnologias são ferramentas muito poderosas para a transmissão do conhecimento, sendo o transmissor e o receptor muito ativos nesse processo, sobretudo quando se considera o tamanho da memória contemporânea e também a capacidade de processar informações. Estou falando de poder computacional. O maior problema que enfrentamos agora é a capacidade de usar corretamente, ou de otimizar essas novas ferramentas. Ressalto aqui que a world wide web surgiu há apenas uma geração atrás. É muito pouco na escala da evolução cultural. Vai levar provavelmente… não sei… três, quatro, cinco gerações até que tenhamos desenvolvido uma cultura para usar essas ferramentas da melhor forma possível.

Pré-Univesp: Há um livro recém lançado no Brasil cujo nome é The shallows: what the internet is doing to our brains. Nesta obra, o autor Nicholas Carr se posiciona, em muitos momentos, contra o uso da internet. Um de seus argumentos é de que se trata de um tipo de ferramenta que funciona como uma extensão do nosso próprio cérebro, e que seu uso constante faz com que exista uma nova maneira de se informar e de pensar. O resultado disso é o condicionamento a determinada forma de lidar com o saber: uma maneira que não leva em conta a necessidade de concentração, reflexão e paciência necessárias à apreciação de um bom romance, por exemplo. Como o senhor avalia esse tipo de crítica?

Pierre Lévy: Eu concordo que essas ferramentas tenham se tornado extensões de nossos cérebros e que condicionem formas de pensar, como toda mídia dominante. É o caso da escrita também, que condicionou nosso cérebro. Agora, quanto ao problema da dificuldade de concentração, vejo novamente como um problema de educação, de disciplina cognitiva. Esquecemos que um dos principais objetivos da educação formal é fornecer aos jovens disciplina cognitiva, sem a qual não se consegue nada. Então, se usarmos essas novas ferramentas com uma forte disciplina cognitiva, focando em prioridades, nas coisas mais importantes, usando enciclopédias e dicionários, contatando pessoas que sabem mais que nós sobre determinado assunto, com capacidade de colaborar, criar algo coletivamente, é fantástico. É preciso também controlar sua própria mente. Se não fizermos isso, não será o computador que fará por nós. Ele é uma extensão do cérebro que depende de como o cérebro funciona, claro (risos). Essa disciplina nunca foi natural. Fazer uma criança ler um livro do começo ao fim sempre foi difícil. A tendência é querer sair, brincar, fazer outra coisa, ver televisão. Hoje, acho que há mais tentações para a distração. Assim, a educação para a disciplina cognitiva deveria ser reforçada. Não vejo outra solução que não adaptar a educação.

Pré-Univesp: Como podemos resolver a questão da propriedade intelectual no universo das mídias digitais?

Pierre Lévy: Esse é um problema muito interessante e muito complexo porque, por exemplo, as pessoas que escrevem romances fazem dessa atividade o seu meio de sobrevivência, e não há como querer que elas abram mão de seus direitos autorais. Mas, considerando outro aspecto da questão, é necessário encorajar as pessoas para a criação intelectual e seu compartilhamento gratuito. Existe ainda o argumento em relação a guias, manuais, ou livros que são utilizados na educação: é completamente contraprodutivo ter que pagar por eles – nós deveríamos poder reproduzi-los sem custos. Eu não sei a resposta correta (para esse problema), mas o que posso dizer, como membro da comunidade acadêmica, é que minha posição é a de que cada livro ou artigo acadêmico deveria ser publicado gratuitamente na internet. É completamente paradoxal que livros científicos sejam tão caros. Vocês podem perguntar: – Tudo bem, então por que você não publica seus livros de graça, na internet? Minha resposta é: – Se eu disponibilizo meus trabalhos em meus sites pessoais, isso não irá contribuir para a minha carreira acadêmica. Porque eu tenho que mostrar essa produção em jornais científicos e outros veículos como esses. De um lado, tenho que apresentar meus trabalhos através de publicações consideradas sérias, e por outro lado eu não quero receber os direitos por meus livros: eu quero apenas que as pessoas os leiam. Em meu caso, em particular, alguns dos livros que escrevi estão disponibilizados gratuitamente na internet. Isso pra mim não é um problema, mas é uma questão para os meus editores. É uma situação difícil. Penso que estamos em um momento de transição e que progressivamente iremos encontrar soluções de acordo com as diferentes situações, para as diferentes pessoas, nos diversos setores da sociedade, e o problema da propriedade intelectual será suprimido. De qualquer modo, acredito que o acesso ao conhecimento científico deva ser facilitado: essa é, de uma maneira geral, a minha posição.

Pré-Univesp: Esta é uma questão sobre a memória. A maioria das ferramentas que criamos para a internet considera a questão da memória. A internet, aliás, é um tipo de memória que está fora do nosso corpo. Existe alguma mudança ocorrendo para que a web não seja apenas uma ferramenta de acesso ao esquecido ou ainda desconhecido, mas também um instrumento de reflexão?

Pierre Lévy: Eu penso que a inteligência coletiva das diferentes comunidades que estão se comunicando através da internet não é reflexiva o bastante. É muito difícil imaginar ou ter conhecimento sobre o modo como nós conhecemos alguma coisa, o modo como construímos nosso conhecimento. Uma situação que eu posso usar como exemplo nesse caso é: quando se lê um artigo da Wikipedia, é verdade que é possível entrar na página de discussão sobre como foi construído aquele verbete. Isso não existe em outros ambientes, e mesmo no caso da Wikipedia é muito difícil porque é necessário acessar as páginas, clicar, procurar. Então, eu sonho com uma situação onde possamos ter uma espécie de espelho de criação da inteligência coletiva, que nos ajudará a sermos criativos e a colaborar da melhor maneira possível. Se nós tivermos o espelho e não apenas a nossa inteligência pessoal, nossa consciência receptiva, mas um tipo de consciência reflexiva a respeito de nossa inteligência coletiva, já teremos muito. Mas hoje esse não é o caso. Logo, para mim, uma das pesquisas mais importantes que devemos realizar segue por esta via.

* O filósofo Pierre Lévy falou sobre conhecimento e interação com as tecnologias de informação e comunicação, em entrevista coletiva no Auditório da Coordenadoria de Tecnologia da Informação da Universidade de São Paulo (USP). Esta entrevista foi publicada também na edição número 131 da revista ComCiência, de setembro de 2011.
Videos: Pierre Lévy – As formas do Saber

A Relação entre Educação e Cibercultura na perspectiva de Pierre Lévy – CLIQUE AQUIPDF

Linguagens, Comunicação e Cibercultura: novas formas de produç ão do saber – CLIQUE AQUIPDF

Educação a distância: a educação democrática do futuro

Arquivado em Educação a Distância

Para um número considerável de brasileiros a educação a distância foi muito importante, já que se não fosse essa modalidade de educação, certamente seus planos de concluírem um curso superior demorariam muito mais.
Muitas mudanças – boas, diga-se de passagem! – ocorreram com o advento da educação a distância, em especial em relação aos cursos superiores nessa modalidade. Muitas pessoas, apesar da falta de tempo ou devido à distância, conseguiram concluir o tão almejado curso superior. Além disso, a inserção ao mercado de trabalho ficou muito mais fácil, embora ainda haver preconceito contra cursos nessa modalidade.
Para um número considerável de brasileiros a educação a distância foi muito importante, já que se não fosse essa modalidade de educação, certamente seus planos de concluírem um curso superior demorariam muito mais.

A educação a distância nos permite estudar, a despeito da falta de tempo. Por morarem distantes dos grandes centros urbanos ou por trabalharem em horários flexíveis – por escalas, por exemplo -, muitas pessoas não têm possibilidade de cursar uma faculdade no horário regular. Assim, ou esperam por melhores condições de trabalho e disponibilidade de tempo para poderem cursar uma graduação ou tentam conciliar seu tempo com uma modalidade que melhor se adeque a sua realidade.
Com a educação a distância aumentou-se o consumo de novas tecnologias. Isso devido à necessidade de computadores mais potentes e outros mecanismos, como internet banda larga, para o ensino-aprendizagem nessa modalidade.

Embora haja vantagens advindas com esta (não tão nova) maneira de estudar, ainda encontramos resistência de empregadores e de alguns segmentos da sociedade. Profissionais formados por meio de cursos superiores a distância ainda são vistos como menos qualificados. Isso se dá, talvez, por mero desconhecimento da qualidade desses cursos.

Outro ponto considerado negativo da educação a distância é a falta de interação entre os participantes. Entidades de ensino que não criam mecanismos para que seus alunos e professores interajam além de horários pré-determinados não estão favorecendo a troca de informações e a ampliação do conhecimento. Horários específicos são usados na educação presencial. O estudante que opta por educação a distância não pode ficar “preso” a horários para se comunicar com professores e demais colegas de curso, já que escolheu essa modalidade de ensino-aprendizagem pela flexibilidade de horários.
Desde a regulamentação dos cursos superiores a distância – através do Decreto Federal nº 5.622/2005 (regulamenta o artigo 80 da Lei 9.394/1996) – a qualidade desses cursos melhorou muito. Critérios de qualidade do ensino, como a infra-estrutura da entidade, a qualificação dos docentes entre outros, foram revistos pelo Ministério da Educação (MEC), a fim de dar maior credibilidade a essa modalidade de educação. Com isso, entidades de ensino superior que não atendem os critérios de qualidade do MEC estão sendo descredenciadas para a oferta de cursos superiores a distância.

O MEC acredita tanto nessa modalidade de educação que em 2004, por meio da Portaria MEC nº 4.059, de 10.12.2004, permitiu às instituições de ensino superior introduzir, na organização pedagógica e curricular de seus cursos superiores reconhecidos, a oferta de até 20% de disciplinas integrantes do currículo na modalidade semipresencial. Em suma, a modalidade de educação a distância veio proporcionar facilidades para a qualificação profissional. Cursos online - de línguas a cursos superiores – vieram mudar a perspectiva de pessoas que não teriam outra maneira de se qualificar. A aceitação desses cursos é tamanha que empresas privadas e estatais – o Governo federal e alguns Governos estaduais, a exemplo do Estado do ES – qualificam seus servidores através de cursos online ou semipresenciais. Por fim, a modalidade de educação a distância é boa tanto para o profissional quanto para o empregador, já que proporciona qualificação profissional sem a necessidade de deslocar funcionários para outro espaço físico nem a necessidade de horário fixo para o desenvolvimento de cursos diversos. Assim, chegamos à conclusão que, de fato, além de democrática essa é a modalidade de educação do futuro! Autor: MOACIR DA SILVA GARCIA  - Fonte: Portal Administradores
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terça-feira, 27 de setembro de 2011

Lousas eletrônicas nas escolas de todo país

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Uma da s novidades tecnológicas que o MEC planeja levar às escolas de todo o Brasil é a lousa eletrônica – composta de uma caneta e um receptor, que devem ser acoplados ao projetor Proinfo (equipamento com computador e projetor ofertado pelo MEC aos estados e municípios). O registro foi feito pelo líder do governo no Senado, Romero Jucá, nesta quinta ( 22 ) durante pronunciamento no plenário do Senado.
Segundo Jucá, além da lousa eletrônica, o leitor em braile também fará parte dos equipamentos tecnológicos que o MEC pretende instalar em todas escolas brasileiras. A lousa eletrônica está em processo de licitação para compra no FNDE.
- Tanto a lousa quanto o leitor em braile são equipamentos que irão contribuir substancialmente com a melhoria do ensino brasileiro; pois facilitam a vida do professor e dos alunos . Sem dúvida vou trabalhar para levar estas facilidades tecnológicas para Roraima – disse Romero Jucá.
O protótipo do leitor em braile,  permitirá que alunos com deficiência visual escrevam e ao mesmo tempo ouçam o que escrevem. A ferramenta tem uma câmera digital que captura as imagens de um livro ou jornal, por exemplo, e transforma a imagem em texto em braile, gerando o áudio correspondente. Por meio de um visor, o professor poderá acompanhar o trabalho do estudante. O protótipo, desenvolvido pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), está em fase de testes e deve estar pronto em seis meses.
Novo modelo de compras economiza recursos e permite mais investimento nas escolas públicas
Jucá também elogiou durante seu pronunciamento no Senado, o novo modelo de compras adotado pelo MEC que permitiu economizar em dois anos, R$ 866 milhões na compra de equipamentos para escolas.
O orçamento do Ministério da Educação (MEC) passou de R$ 19 bilhões em 2003 para R$ 62 bilhões em 2010, com um empenho em tornar o uso dos recursos mais eficiente. O modelo de aquisições adotado pelo MEC e pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) possibilitou economia de R$ 866 milhões de recursos públicos em dois anos.
O resultado das compras também beneficia estados e municípios, que podem adquirir os produtos por meio da adesão aos pregões eletrônicos de registro de preços feitos pela FNDE. Esse método tem sido adotado para a compra de uma gama variada de produtos, de uniformes e bicicletas escolares a computadores, livros e laboratórios do programa e-Tec, que oferece ensino técnico a distância.
O poder de compra em escala do Estado é usado para diminuir o preço e influencia a política industrial. O MEC compra para quase 60 milhões de pessoas: 50 milhões de alunos da escola básica, mais de seis milhões na educação superior e cerca de quatro milhões de profissionais de educação.
Modelo – O modelo de compras da área educacional se baseia na medição dos indicadores da rede de educação pública. Após analisar esses dados, são traçados os critérios de atendimento dessa rede. O planejamento das compras é, então, debatido em audiências públicas, para melhor especificação dos produtos. Em seguida é feito um estudo do mercado fornecedor para a definição do formato do pregão. “Além da uniformidade dos procedimentos, da padronização dos produtos e serviços, da racionalização dos processos e da redução dos custos operacionais, o modelo permite ganho em função da economia de escala, controle mais eficiente dos gastos, transparência e celeridade”, explica o secretário executivo do MEC, José Henrique Paim.

Fonte: MEC

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Educação a distância avança, mas é preciso cuidado na escolha

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O mais recente Censo da Educação Superior realizado pelo Ministério da Educação (MEC) mostra que, nos últimos dez anos, o número de matriculados em cursos de graduação a distância aumentou em mais de 15.000%. No ano 2000, havia 5.287 inscritos em todo o Brasil. Em 2009, esse número pulou para 838.125, uma trajetória histórica dos números de matrículas no EAD.
Apesar da educação a distância (EAD) em cursos de graduação ser um processo relativamente novo no Brasil, o ensinamento à distância é considerado uma modalidade antiga de educação. Para a professora de Educação, Comunicação e Tecnologia do campus Sorocaba da Universidade de São Carlos (Ufscar), Teresa Melo, que estudou o ensino semipresencial para a tese de doutorado em Ciências da Comunicação, as cartas bíblicas do apóstolo São Paulo foram os primeiros registros de educação a distância. “O objetivo das cartas era passar uma mensagem, um ensinamento. Aquilo já era educação a distância”, defende.
Com o passar dos anos, os mais variados meios para passar as mensagens foram utilizados, desde correios, rádio e televisão. Quando surge a internet e os meios digitais, as oportunidades de cursos à distâncias explodem. “O Instituto Universal Brasileiro sobreviveu tanto tempo e durante décadas formou tantos técnicos sem internet. Hoje ele se adaptou e também usa plataformas digitais.”
Teresa acredita que, com a internet, a educação a distância muda de status. “Antes, quem fazia não era valorizado. Hoje, as pessoas acham bacana fazer um curso a distância. Mas, embora o ensino a distância seja antigo, os meios de transmiti-lo são novos e mudam o tempo todo. Cada vez que a tecnologia evolui, mudam as possibilidades.”

Educação democrática
Para a especialista, não se trata de roubar o espaço dos cursos presenciais tradicionais. A educação a distância é uma alternativa e complementa a educação presencial tradicional. “Eu prefiro acreditar que todas as tecnologias digitais venham somar e não substituir”.
Com o universo de cursos à distância, a educação fica mais democrática, com a possibilidade de chegar a pessoas que não teriam chance de outra maneira. “É uma educação cidadã. Além da qualidade, é necessário trazer com ela a possibilidade de reflexão, de inserção social, de seriedade.”
E não são apenas as distâncias que são flexibilizadas. Além do espaço, os cursos trazem flexibilidade de horário, um bem cada vez mais precioso na sociedade contemporânea. “Isso dá oportunidade para muita gente que não teria oportunidade de estar presente num curso desses. Só isso já é um grande fator positivo.”

Problemas
Os mesmos problemas encontrados no ensino presencial também são os que afetam a qualidade dos cursos a distância. Teresa afirma que, independente da modalidade, o que importa é a seriedade com que a atividade educacional é encarada. “Uma visão equivocada da educação, falta de seriedade, mercantilização e massificação do ensino são os piores. Mas isso, qualquer curso em qualquer instituição, ensinado por qualquer modalidade, pode ser muito bom ou pode ser uma arapuca”, disse.
Além disso, outro ponto negativo do ensino a distância é a perda de outras vivências acadêmicas, como a vida universitária, por exemplo. “Há outras coisas que acontecem num espaço de ensino superior e que vão além da sala de aula. As aprendizagens não se restringem ao momento de ensino.”
Mas, mesmo assim, ela acredita no relacionamento pessoal à distância. “Engana-se quem pensa que à distância não existe o calor, o relacionamento pessoal. À distância, você pode conhecer muito bem uma pessoa sem nunca ter visto. Você pode estabelecer relações de amizade duradouras e fortes dessa maneira”, defende.

Profissional
“A educação a distância não vai tirar o emprego do professor”, afirma Teresa. Ela explica que, pelo contrário, até são necessários mais profissionais de educação envolvidos. Apesar da falta de estrutura física, a estrutura humana precisa ser maior para o ensino ser bem feito. “A educação a distância séria tem uma equipe muito maior que a disciplina presencial, inclusive com grupos multidisciplinares, como profissionais de Tecnologia da Informação, que precisam estar afinados.”

Estudante
De acordo com Teresa, o curso à distância depende mais do aluno que o presencial, por cobrar uma disciplina maior do estudante. “Flexibiliza tempo e espaço, mas exige uma disciplina de participação que precisa ser muito rígida. E entender que, mesmo distante, ele não pode deixar para depois, ele precisa estar o tempo todo ligado. Para o estudante, a modalidade também é novidade.”
As pessoas que mais se interessam pela modalidade são as que não possuem outras possibilidades no tempo ou no espaço. “Você pode imaginar até aquele estudante que está na Amazônia, distante de um centro que tenha uma universidade, como aquele que mora em São Paulo, mas não tem tempo para poder cursar uma graduação presencial. O perfil do estudante é bastante variado e também está sendo construído para entender as dificuldades da participação de um curso presencial”, afirma.

Solução
Teresa defende uma modalidade híbrida e bem estruturada como ideal para o ensino a distância. “Os cursos semipresenciais, com encontros presenciais e parte à distância são uma solução”, diz.
A massificação também compromete qualquer tipo de curso, de acordo com ela. Por isso, o ideal é que os cursos tenham no máximo 25 alunos por tutor. “A educação não pode ser uma estrutura de massa. No entanto, algumas instituições não trabalham assim porque barateia o custo quando coloca 100, 120 alunos sobre responsabilidade de um profissional. Isso não é educação séria, mas não é nem presencial nem à distância”.
Apesar de todas as qualidades dos cursos à distância, Teresa destaca que ainda há questões a serem analisadas. “Existem questões a se debater. O que dá para fazer à distância? Você consultaria um médico que fez uma faculdade à distância? Há limites no processo e é preciso pensar neles.”
Devido às discussões que ainda gera, a modalidade de ensino à distância, para Teresa, não deve ser tão elogiada nem criticada demais. “Depende de muito conhecimento, muito estudo, muita técnica e muita sensibilidade. Por isso, não se pode satanizar o EAD e nem simplificar e louvar demais. Ele não é o salvador da pátria, assim como as tecnologias digitais não são as salvadoras da educação. Elas podem ajudar, mas se eu não pensar como usá-las, não vão adiantar em nada”, finaliza.

Fonte: Jornal Cruzeiro do Sul