sábado, 16 de junho de 2012

Ainda é possível fazer bons negócios no setor de EAD

Com 2,1 mil faculdades, universidades e centros universitários, o ensino superior privado movimenta R$ 30 bilhões no Brasil. Excluindo-se as fundações, as filantrópicas e aquelas instituições com menos de 1 mil alunos, restam cerca de 650 universidades que podem ser alvo de fundos de investimento e de redes consolidadoras.

Essas instituições têm um perfil parecido: a maioria enfrenta o dilema da sucessão – já que cerca de 80% dos fundadores têm mais de 70 anos de idade e continua à frente dos negócios. E também compartilham dos mesmos problemas. Em geral, têm uma gestão pouco profissionalizada, contingências tributárias e trabalhistas além de endividamentos incompatíveis com a operação. “É preciso garimpar mais, mas ainda há muita oportunidade de se fazer negócios no setor”, diz Ryon Braga, presidente da consultoria Hoper, especializada em educação.

Um estudo recente coordenado por Braga estima que dentro de quatro anos as maiores empresas de educação do País, que hoje detém 34% de participação de mercado, chegarão a 50% , com metade do número de empresas consolidadoras que existe hoje (são 14 no total).

No entanto, as redes que mais se destacam na aquisição de faculdades e universidades são a Kroton e a Anhanguera. Entre fevereiro do ano passado e maio deste ano, ocorreram 33 operações de fusão e aquisição no setor, que movimentaram R$ 3 bilhões – 85% desse volume foram de operações comandadas por essas duas empresas.

Embora a Anhanguera tenha começado o ano passado com o título de mais agressiva do setor, é a Kroton, controlada pelo fundo Advent, que tem chamado atenção em 2012. Ao comprar a Unopar, em dezembro do ano passado, e a Uniasselvi no mês passado, ela superou pela primeira vez a Anhanguera em número de alunos no ensino superior.

Ao vender o controle da Universidade Anhembi Morumbi para os americanos da Laureate, em 2005, o professor Gabriel Mário Rodrigues fez uma exigência: teria de continuar como reitor da instituição por tempo indeterminado, até decidir que havia chegado a hora de se aposentar. Na época, ninguém botou fé que aquele senhor de 73 anos, milionário, ficaria muito mais tempo no cargo. Pois ele furou qualquer previsão.

Com 80 anos recém-completados, continua coordenando a área acadêmica da universidade que criou em 1971 – e dando palpites na administração dos sócios. “Você não sabe como é difícil ter patrão”, responde a quem quer saber como foram os últimos sete anos. Só agora, Rodrigues se prepara para deixar o gabinete da reitoria. Em março de 2013, ele terá de vender, conforme prevê o contrato, seus 49% para a Laureate – grupo formado por 60 instituições, com presença em 29 países e que oferece cursos para 700 mil estudantes no mundo – e embolsar mais cerca de R$ 400 milhões.

Sob o comando dos americanos, a receita da Anhembi Morumbi dobrou – para R$ 320 milhões em 2011, segundo apurou o Estado. É um crescimento relevante para uma rede que desde a origem quis associar sua marca à elite paulistana e procurou atrair um público bem específico, que transita pelas classes A e B e está disposto a pagar mensalidades na faixa de R$ 1,2 mil.

Embora a história da Anhembi Morumbi tenha sido milimetricamente planejada por Rodrigues, ele foi parar nesse ramo por acaso. É tratado como “professor” nos corredores, mas teve uma breve experiência em sala de aula. Ele ainda era adolescente quando foi convidado pelo diretor do colégio onde estudava para substituir um professor do curso primário aos sábados.

Como gostava mesmo era de desenhar, formou-se em Arquitetura e foi trabalhar no Departamento de Obras Públicas do Estado de São Paulo. Lá, entre um serviço burocrático e outro, criou um setor de capacitação para preparar os colegas servidores que sonhavam em ter uma graduação mas não conseguiam passar no vestibular.

Do cursinho na repartição até inaugurar sua faculdade foi um pulo. “A criação do curso de turismo foi uma iniciativa inovadora e acabou dando o tom de toda a estratégia da empresa”, diz Carlos Monteiro, presidente da CM Consultoria, especializada em educação. Depois de turismo, vieram os cursos de moda, gastronomia, quiropraxia e até de design em animação.

Mas nem tudo foram flores na trajetória empresarial de Rodrigues. Ele nunca conseguiu, por exemplo, empreender no ensino à distância, embora fosse sócio da primeira empresa do País a conseguir autorização do MEC para atuar nessa modalidade, a Universidade Virtual Brasileira. Pior que isso: o professor e a Anhembi Morumbi enfrentam até um hoje um processo, com outras nove instituições, por suspeita de terem pirateado o programa de educação à distância desenvolvido para o grupo. A multa pode chegar a R$ 174 milhões.

Influência. Desde que decidiu se tornar um empresário de ensino superior, Rodrigues dedicou boa parte de seu tempo às entidades de classe do setor. Foi presidente do Sindicato das Entidades Mantenedoras de Ensino Superior de São Paulo por 12 anos e hoje preside a Associação Brasileira das Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES). Vai a Brasília a cada 15 dias e tem trânsito fácil no Ministério de Educação.

Donos de universidades concorrentes creditam a Rodrigues, por exemplo, a vitória do setor ao barrar a reforma universitária proposta pelo ex-ministro Tarso Genro em 2004. “Mesmo quando discorda de uma situação ele faz todo mundo acreditar que está de acordo”, descreve o dono de uma universidade particular de São Paulo. “Depois, de mansinho, vêm com uma série de soluções totalmente diferentes das que estavam sendo propostas por seus interlocutores. Parece pouco democrático, mas funciona.”

Esse jeitão bem relacionado do professor Gabriel seduziu, em 2005, os americanos da Laureate. Eles já estavam há dois anos em busca de um parceiro, quando decidiram se tornar sócios da Anhembi Morumbi e colocar os pés no mercado brasileiro. Na época, Rodrigues já tinha se dado conta de que suas três filhas jamais se entenderiam à frente dos negócios. “Sem sucessores, eu não tinha opção.”

A reestruturação da empresa para a venda começou dois anos antes e ficou sob a responsabilidade dos “meninos do Pátria”, como Rodrigues se refere aos executivos de uma das maiores gestoras de fundos de private equity do País. Eles eram conhecidos da filha mais velha, Angela Freitas, que já cuidava do departamento financeiro da Anhembi Morumbi. O Pátria escalou para o serviço o novato Ricardo Scavazza, na época com apenas 24 anos.

Dois anos mais tarde, em 2006, Scavazza comandou a abertura de capital da rede Anhanguera, antiga conhecida do dono da Anhembi Morumbi. Foi Rodrigues que tornou possível o projeto de dois professores de matemática do interior paulista, Antônio Carbonari e José Luís Poli, que queriam “massificar” o ensino superior, com cursos baratos. Quando a Anhanguera tinha menos de 10 mil alunos, o professor Gabriel comprou metade das ações da rede.

Com a abertura de capital, o controle da Anhanguera passou para as mãos de um fundo do Pátria, que tem 17% das ações. A holding da família Rodrigues detém 70% desse fundo. “A Anhembi é como uma filha, mas a Anhanguera é o meu maior negócio”, diz. Embora venha sofrendo na bolsa desde o ano passado, quando fez sua última e mais complicada aquisição (da Uniban), a companhia continua sendo a mais valiosa do setor, com valor de mercado de R$ 3,5 bilhões.

Nem Rodrigues nem suas filhas exercem função executiva na companhia que é hoje o maior investimento da família. Dona de uma empresa que negocia empreendimentos imobiliários, Angela, a filha mais velha, compra e vende câmpus para a Anhanguera. “São investimentos da família que nada interferem na nossa sociedade”, diz o vice-presidente de Operações da Laureate Brasil, José Roberto Loureiro.

Reza. Sobre sua participação na empresa fundada por Carbonari (e presidida por Scavazza), o reitor da Anhembi Morumbi costuma brincar dizendo que faz parte “da turma da reza”, numa referência às festas juninas de antigamente. “Nas festas de São João, o padre dividia as tarefas entre os casais. Quem ficava sem função tinha a incumbência de rezar para que tudo corresse bem. É o que eu faço na Anhanguera.”

Quem acompanha a trajetória do professor Gabriel, que optou ter uma instituição menor, com mensalidades mais caras e um maior controle de qualidade, diz que ele vive em conflito ao ser também um dos maiores acionistas da Anhanguera. Ele garante que não, mas, genericamente, faz críticas ao modelo de administração adotado em universidades controladas por instituições financeiras. “É preciso esperar oito anos para ver o lucro em educação, mas os banqueiros não têm essa paciência.”

Entre os cinco maiores grupos educacionais do País, só a Unip não tem um grupo financeiro por trás de sua administração. A Anhanguera é comandada pelo Pátria; a Estácio, pela GP Investimentos; a Kroton, pela Advent e a Laureate tem participação do fundo americano KKR.

Por conta do apetite desses fundos pelo segmento de educação, o processo de consolidação iniciado pela Anhembi Morumbi ainda promete grandes negócios. O mais esperado é uma fusão entre Anhanguera e Estácio de Sá (grupos que se complementam geograficamente). Isso pode dar certo? O professor é categórico: “Não duvido que aconteça, mas se eles vão entregar um bom produto é outra história.”

Com informações do ESTADÃO

terça-feira, 5 de junho de 2012

Educação a distância: uma nova realidade

A cada dia, mais brasileiros se matriculam em cursos de educação a distância (EAD), especialmente no âmbito do ensino superior, o que é uma excelente notícia. De acordo com dados do Censo da Educação Superior de 2010, a EAD, que praticamente inexistia dez anos atrás, já responde pelo percentual de 14,6% do total das matrículas na graduação. Em 2001, apenas 5.359 estudantes estavam matriculados na modalidade de cursos a distância. Uma década depois, esse número aumentou 170 vezes, chegando a 930.179 estudantes.

Ao contrário do que ocorria em um passado recente, hoje a educação a distância no Brasil não pode mais ser considerada sinônimo de ensino de baixa qualidade. A situação de fato mudou, e muito: os graduados em EAD tiveram, em média, 6,7 pontos a mais no resultado final do Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade), na comparação com os resultados dos alunos oriundos dos cursos presenciais, conforme revela o “Censo EAD.BR – Relatório Analítico da Aprendizagem a Distância no Brasil 2012”, realizado pela Associação Brasileira de Educação a Distância (ABED).
A verdade é que o advento da internet criou um cenário totalmente novo para a educação a distância. Não se trata mais de realizar os estudos por meio de materiais impressos tradicionalmente enviados aos alunos pelo correio. Com a rede mundial de computadores e demais avanços tecnológicos nas telecomunicações, esse tipo de educação a distância tradicional está em franco declínio.

Hoje, as possibilidades são mais amplas e pode-se fazer um curso a distância praticamente nos mesmos moldes dos presenciais, com os estudantes assistindo, pela internet, às aulas de professores, com exibição de conteúdos audiovisuais. As avaliações podem ser feitas em tempo real, também pela rede, com tempo certo para a sua realização. Tanto a metodologia de ensino como a forma de avaliar a aprendizagem dos alunos e a atuação do corpo docente na educação a distância passaram por uma revolução, e isto está sendo percebido pelos estudantes, que cada vez mais acreditam e demandam essa modalidade de educação.

No exterior, aliás, há uma tendência de fim da fronteira entre educação a distância e presencial: cursos que antes eram exclusivamente presenciais já incluem uma parte realizada remotamente. E os programas de educação a distância muitas vezes abrangem atividades presenciais. No Canadá, país pioneiro da massificação da EAD, seus 32 milhões de cidadãos têm à disposição 56 universidades, das quais 53 oferecem cursos a distância.

No Brasil, o próprio governo federal também percebeu que a educação a distância é realidade e reconhece que o percentual de matrículas ainda é baixo em relação a outros países, onde a modalidade responde por até metade dos estudantes. O ministério da Educação, por outro lado, avisou que está atento à questão e irá controlar, por meio de regulamentação, o crescimento do ensino a distância para evitar que uma “explosão” desta modalidade redunde no aparecimento de cursos de baixa qualidade e sem referências técnica e acadêmica – iniciativa salutar e importante em defesa da formação qualificada do estudante.
ponto é que, para países continentais como o Canadá e o Brasil, o ensino a distância é uma solução muito interessante. No caso brasileiro, a EAD tem inclusive o potencial de ajudar o País a se consolidar como potência econômica global. Sim, porque depois de todos os avanços dos últimos anos – estabilidade econômica e política, melhoria nas condições de empregabilidade e na renda dos trabalhadores, maior acesso ao crédito e bens de consumo –, que permitiram ao país atravessar duas crises mundiais, há grandes oportunidades para o aperfeiçoamento do conjunto de habilidades de nossas futuras gerações no setor de Educação.

É senso comum que não se constrói uma nação sem educação de qualidade. E o Brasil está no caminho certo ao universalizar a educação fundamental, tarefa em andamento acelerado. Agora é hora de formar profissionais qualificados, com educação superior, para que possam crescer junto com o País. Um dos grandes desafios da educação brasileira, neste momento, está na expansão do ensino superior. É neste sentido que a EAD pode dar uma importante contribuição, ampliando o potencial de acesso dos brasileiros à universidade, especialmente em estados e municípios com maior dificuldade de mobilidade para os estudantes. Estamos em um momento mais do que apropriado para revisitar nossos marcos regulatório, acadêmico e administrativo com o objetivo de apoiar essa tendência favorável no ensino superior.
Zelar pela qualidade do ensino e expandir a oferta de cursos a distância são tarefas essenciais para que o Brasil continue caminhando a passos largos para se tornar um país mais próspero e mais preparado para enfrentar os desafios do seu desenvolvimento.


Fonte: estadao

MEC retoma negociações para instalação do MIT no Brasil



O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, disse nesta quinta-feira (31) que as negociações para a instalação de um centro de pesquisas do MIT (Massachusetts Institute of Technology) serão retomadas no segundo semestre deste ano.

Segundo Mercadante, o reitor do MIT, Rafael Reif, encaminhou um e-mail hoje a ele solicitando uma reunião em julho para dar continuidade às conversas iniciadas com a vista da presidente Dilma Rousseff à instituição no mês de abril.

Na época, Mercadante havia anunciado a abertura do escritório do MIT no Brasil, sem dar outros detalhes. “Nós vamos ter uma escola do MIT no Brasil. Estamos iniciando todas as tratativas para poder concluir esse processo”, disse, então. No entanto, a assessoria de imprensa do instituto desmentiu o ministro, na época, dizendo que o ”MIT não abre campus no exterior”.

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sexta-feira, 1 de junho de 2012

Senado aprova criação de mais de 70 mil cargos para o MEC


O Senado aprovou ontem (30) projeto de lei que autoriza o MEC (Ministério da Educação) a criar mais de 70 mil cargos e funções a serem preenchidos até 2014. Como foi aprovado na Câmara e não sofreu modificações no Senado, a proposta segue agora para sanção presidencial.

Segundo o governo, as vagas serão usadas no Reuni (Programa de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais) e no Pronatec (Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e ao Emprego).

Na justificativa da proposta encaminhada ao Congresso pela Presidência da República, o governo sustenta que a abertura dos cargos visa a promover a melhoria da educação nas universidades e nas escolas técnicas de ensino básico e médio.

De acordo com o projeto de lei, serão criados 43.875 cargos de professor, dos quais 19.569 da carreira de magistério superior e 24.306 do magistério do ensino básico, técnico e tecnológico. Ainda serão criados 27.714 cargos de técnico administrativo, além de 1.608 de direção e 3.981 de funções gratificadas.

Fonte: Uol/Educação

Professor não pode concorrer com a internet

Para especialistas, o apresentador de informações vai desaparecer, mas o educador que vai além delas é cada vez mais necessário

Imagine, em um mundo sem internet, o dia em que professores são avisados que dali para frente uma ferramenta de pesquisa permitirá aos seus alunos ler, assistir, ouvir e discutir sobre qualquer assunto. Qual seria a reação dos educadores? Para especialistas, há muito motivo para comemorar: a chance de obter êxito no aprendizado aumenta. Na vida real, a recepção não foi bem assim. Isto é a falta de adaptação do professor às novas tecnologias e ao aluno influenciado por elas.

Incluída ou não na aula, presente ou não na escola, a internet faz parte da rotina dos alunos. Em 2008, quando apenas 23% dos lares estavam conectados segundo o Ibope, o instituto já apontava que 60% dos estudantes tinham acesso à rede de algum modo. Em pesquisa realizada nas escolas estaduais do Rio de Janeiro em 2011, 92% disseram estar online ao menos uma vez ao dia.

“O professor pode escolher como tratar a internet, mas não pode ignorá-la”, diz o pesquisador emérito de Ciências da Educação da Universidade de Paris 8 e visitante na Universidade Federal do Sergipe, Bernard Charlot. Ele vê duas possibilidades para o educador: fazer o que a máquina não sabe ou ser substituído.

“Ninguém pode concorrer com o Google em termos de informação. O professor que ia à frente da sala apresentar um catálogo vai desaparecer em 20 anos e ser substituído por um monitor”, afirma sem titubear, emendando um alento: “Por outro lado, o professor que ensina a pesquisar, organizar, validar, resolver problemas, questionar e entender o sentido do mundo é cada vez mais necessário.”

O pesquisador defende que o aparente problema de falta de entrosamento com a tecnologia na verdade é a lente de aumento que a internet colocou sobre a falta de formação para a docência. “Não é que o professor não sabe ensinar a pesquisar na internet, é que ele não sabe ensinar a pesquisar. Muitas vezes é mais simples ainda: o professor não sabe como ensinar.”

Para ele, a culpa não é do profissional, mas do sistema engessado que além de não formá-lo não o deixa fazer diferente. “Não faz sentido começar um trabalho na internet e, depois de 50 minutos, dizer: a gente continua semana que vem. Assim como cada professor cuidar de uma disciplina, como se os assuntos não fossem relacionados, ou tratar de temas sem mostrar na prática para que servem na sociedade tornam a escola sem sentido.”

A doutora em linguística e especialista no impacto da tecnologia na aprendizagem Betina von Staa também culpa principalmente o sistema de ensino pela falta de aceitação da tecnologia. “Muitos professores não aceitam trabalhos digitados apenas para evitar cópias. A preocupação é maior com o controle de notas do que com as possibilidades de aprendizado”, lamenta.

Na opinião dela, o aluno precisa de orientação para procurar informações confiáveis e questionar dados encontrados na internet. “Todas as pesquisas apontam que a tecnologia traz benefícios, porém desde que venha com formação dos professores para dar apoio.”

O Colégio Ari de Sá, em Fortaleza, é um exemplo de exceção na introdução da tecnologia na sala de aula. Além de equipamentos – lousas digitais, computadores e até tablets para os alunos que preferirem o equipamento aos livros – a escola tem formação para os professores diariamente e no contexto das aulas. O coordenador de informática educativa, Alex Jacó França, passa em cada sala tirando dúvidas dos professores e dá dicas de como incluir ferramentas online em cada tópico.

“Muitos temas que passariam sem grande interesse aos alunos acabam ganhando vídeos e experimentos que os marcam. Quanto mais o professor conhece, maior a liberdade que dá ao aluno no formato de suas pesquisas e melhor o aprendizado”, garante o especialista. Para ele, mesmo nos casos em que as escolas não têm equipamento, o conhecimento do professor para incentivar o uso de tecnologias e a abertura para deixar os alunos irem além dos livros faz a diferença.

Durante fórum sobre tecnologia e educação promovido pela Blackboard no último dia 12, em São Paulo, educadores estrangeiros sustentaram opinião parecida. A diretora de avaliação da Universidad Cooperativa de Colômbia, Maritza Randon Rangel, afirma que a democratização do acesso à rede dá oportunidade para que mesmo escolas rurais e afastadas tenham desempenho equivalente às que estão mais próximas de recursos culturais e financeiros. “Tivemos êxito com isso na Colômbia, mas além das máquinas é preciso uma equipe com objetivos claros.”

Já a pedagoga Patrícia Patrício, mestre em Formação de Professores pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e autora do livro “São Deuses os Professores?”, defende que os educadores de sucesso conseguem êxito com ou sem ajuda da escola. “Em geral profissionais que se destacam fazem isso, apesar da escola”, conta.

É o caso de professores premiados em todas as edições das Olímpiadas Brasileiras de Matemática, como Antonio Cardoso do Amaral, de Cocal dos Alves, no Piauí, e Maria Botelho, de Uberlândia, em Minas Gerais. Ambos não têm formação ou estrutura tecnológica acima da média da rede pública nas escolas, mas incentivam os alunos a usá-la em casa e valorizam dúvidas e exercícios trazidos dentro ou fora do contexto da aula. “Às vezes chego em casa e um aluno me deixou uma dúvida no Facebook, eu adoro, significa que eles estão indo além da aula”, diz Botelho.

Fonte: IG

Pedagogia é o curso de graduação a distância mais procurado do Brasil

O curso de pedagogia é o que tem mais estudantes em graduações a distância no Brasil. Ao todo, são mais de 273 mil matrículas, segundo o Censo da Educação Superior de 2010, realizado pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira).

Ao todo, há cerca de 930 mil matrículas em EAD (Educação a Distância), o que significa que, a cada cem alunos de graduações a distância, 30 são de pedagogia. Administração é o segundo curso em número de graduandos nessa modalidade de ensino, com mais de 128 mil matrículas.

A rede privada é responsável pela oferta de 80,5% das matrículas em cursos superiores a distância e, em alguns casos, como marketing ou tecnologia da informação, detém 100% dos estudantes.

Confira a lista dos 30 cursos superiores em EAD com mais matrículas no país:


Fonte:Uol

Educação não é gasto, é investimento. Mas custa cara – Entrevista


Secretário de Educação Básica do Mec
César Callegari
Valorização profissional – principalmente dos educadores alfabetizadores – e melhor repasse do Produto Interno Bruto (PIB) para a Educação no Brasil. Estas são as primeiras medidas para o país desenvolver uma educação básica de qualidade, na opinião do secretário de Educação Básica do Ministério da Educação (MEC), César Callegari. Nesta entrevista, o sociólogo que coleciona cargos e funções em âmbito federal, fala de programas, problemas e perspectivas da educação brasileira. Ele não nega que falta dinheiro, vontade política e perseverança para o ensino público. Afirma que “Educação não é gasto, é investimento. Mas custa caro.” E defende um Plano Regional de Desenvolvimento da Educação para Sorocaba.
O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, anunciou este mês o programa “Alfabetização na Idade Certa”, durante a abertura do 5º Fórum Nacional Extraordinário da Undime (União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação), em São Bernardo. Qual o motivo de assumir este desafio?
Callegari -Nós estamos construindo um pacto nacional pela alfabetização das crianças até os 8 anos de idade com os estados e municípios. A alfabetização e os anos iniciais da vida escolar de uma criança representam, de fato, uma espécie de pedra angular. As ações que pretendemos desenvolver, articuladas com estados e municípios, serão para garantir que toda criança seja alfabetizada e, portanto, esteja livre de qualquer tipo de déficit, que só tende a crescer depois. Se ela não sabe ler e escrever, esse déficit irá acompanhá-la para o resto da vida dela. No Brasil, essa situação é ainda muito grave. Atualmente, a média nacional de não alfabetizados até 8 anos é de 15,2%. O estado com maior índice é Alagoas, com 35%, e o de menor é o Paraná, com 4,9% – o índice de São Paulo é de 7,6%.
Que motivos, fatores ou situações o sr. avalia que têm contribuído para que as crianças não aprendam a ler e escrever adequadamente até os oito anos de idade?
Callegari -Uma parte grande dos professores alfabetizadores são os professores mais novos, que acabam de sair dos cursos de Ensino Médio e Superior. Eles trazem, frequentemente, muitos déficits de formação. Às vezes, não tanto com teoria, mas para enfrentar os desafios das salas de aula. Por isso, o programa “Alfabetização na Idade Certa” é, sobretudo, um programa de formação continuada desses professores. A ideia é realizar cursos presenciais, com apoio total do MEC, tanto na articulação da rede de universidades federais e estaduais como também o apoio material. Além disso, o MEC irá investir em bolsas aos profissionais durante todo o processo de participação dos cursos.
Em São Paulo, há a progressão continuada. Isso contribui para essa “falha” na alfabetização?
Callegari -No nosso modo de entender, os três primeiros anos do ensino fundamental devem ser considerados como um bloco pedagógico. E, nesse caso, deve ser muito mais acentuado o esforço de garantir que as crianças evoluam, sem serem ameaçadas por um processo de reprovação. Nós recomendamos enfaticamente que elas sejam acompanhadas e não sejam retidas no primeiro ou segundo ano. Elas têm que ser ajudadas para que aprendam e se desenvolvam. Mas isso é para esse bloco de alfabetização. Nos demais anos, é mais complicado. Na minha opinião, a maneira como isso foi colocado em São Paulo, foi um equívoco sem precedentes. Uma ideia correta foi erroneamente implementada e funcionou de maneira distorcida. Aquilo que deveria ser progressão continuada de crianças e jovens acabou se transformando em aprovação automática que, generalizadamente, desresponsabiliza o estudante em relação ao seu trabalho como estudante e a própria escola. E os resultado estão aí.
Dados divulgados na semana retrasada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) apontam que Sorocaba teve índice de reprovação, no ensino médio, de 12,9% – era de 9,3% em 2010. O sr. acredita que esse resultado de reprovação “tardia” é um resquício desta má-formação inicial, especialmente em relação a falhas na alfabetização?
Callegari -Acredito. É no final do Ensino Médio que a “hora da verdade” começa a aparecer. Ela é estabelecida pelos vestibulares, pela vida dos jovens, pela sua inserção no mercado de trabalho. Então, se antes essa história pode ser levada meio que de qualquer jeito, no final do Ensino Médio ela começa a ficar cada vez mais realista. Eu vejo que ainda o Ensino Médio é um nó de grandes proporções que o Brasil tem que desatar. Fazer bem o trabalho de alfabetização e depois dar prosseguimento nesse processo nos anos seguintes é uma maneira de fazer com que essa onda positiva chegue logo também no Ensino Médio, mas nós não temos esse tempo para esperar. Isso tem que ser enfrentado já.
Até que ponto o sr. acredita que o cumprimento da Lei Nacional do Piso do Magistério (Lei 11.738) ajudará a melhorar essa realidade que temos hoje de falhas na alfabetização?
Callegari -A Lei do Piso, por impactar o processo no início da carreira, deve surtir um efeito positivo. Em estados como São Paulo nós temos que pensar bem além do piso para, de fato, valorizar os professores – não apenas no início da sua carreira, mas ao longo de toda ela. O fato concreto é que a educação de qualidade depende das condições de como se exerce o magistério. Nós temos que ter a capacidade de atrair para o magistério os melhores entre os melhores. E, no caso dos professores que trabalham na atividade de alfabetização, as redes públicas estão desafiadas a atraírem para esse momento da educação de crianças os melhores profissionais. Atraírem e reterem ali, dando as condições necessárias. Hoje o processo é totalmente inverso. O caso é que prefeitos e governadores têm dito que não tem condições para pagar o piso, e nós temos que ter um entendimento nacional de que é necessário investir mais na Educação. Uma das propostas do MEC é que parcelas dos recursos do Pré-Sal sejam obrigatoriamente destinadas a um fundo que vai abastecer a suplementação de recursos para que seja possível não apenas garantir salário e carreira, mas que também possam proporcionar outras condições materiais e tecnológicas para que a Educação se faça com qualidade.
Em relação às discussões do projeto do Plano Nacional de Educação (PNE), um dos pontos mais polêmicos é em relação aos investimentos na área. As entidades de classe defendem 10% do PIB como meta. O que o Sr. acha dessa proposta? O Sr. acha que para melhorar a educação básica no Brasil realmente falta dinheiro ou mais vontade política dos agentes públicos?
Callegari -É claro que falta dinheiro para educação. Nós estamos de acordo que 10% é o necessário, mas essa taxa deve se fixar em torno de 7%, de acordo com mensagem do Congresso Nacional. O Governo Brasileiro tem que agir com responsabilidade porque, além de dizer de onde sai o dinheiro, tem que definir quais serão as áreas que terão os investimentos reduzidos para isso acontecer. Eu acho que a luta pelos 10% do PIB é muito importante, mas não é tudo. Nós temos que garantir que os recursos da educação sejam muito bem empregados também. Isso é muito importante da mesma forma.
Se o sr. tivesse que apontar apenas três fatores, aos quais o sr. atribuiria os resultados ainda não satisfatórios que o Brasil enfrenta na área da educação?
Callegari -Entre os principais fatores que tem dificultado historicamente a Educação do Brasil a avançar está o baixo investimento relativo para a área educacional – nós precisamos aumentar. O segundo fator é a precária valorização dos educadores – professores e outros profissionais que atuam na área da educação. A desvalorização relativa desses profissionais tem contribuído para um decréscimo da qualidade de educação. E considero o terceiro fator a fragmentação e descontinuidade das políticas públicas e programas educacionais no Brasil. Precisa de mais dinheiro em Educação, não há duvida. Mas, assim que houver mais investimentos na valorização dos professores desde a sua formação inicial, sua remuneração e sua carreira – já será um grande avanço para sistema educacional Brasileiro.
Fonte: Jornal Cruzeiro do Sul